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Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Bruno Caniato, Isabella Alonso Panho, Heitor Mazzoco, Pedro Jordão e Anna Satie. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Haddad promete reviver programa apelidado de “bolsa-crack”

Em debate entre candidatos ao governo de São Paulo, o petista falou em retomar projeto que oferecia moradia e pagamento aos dependentes

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 ago 2022, 09h24 | Atualizado em 8 ago 2022, 14h33

No debate realizado no domingo, 7, entre os candidatos ao governo de São Paulo, o petista Fernando Haddad prometeu retomar o programa Braços Abertos, caso seja eleito, como medida para resolver os problemas da Cracolândia no centro da capital. A iniciativa em questão foi implementada pelo petista quando ocupou a prefeitura da metrópole e acabou sendo apelidada pelos adversários como “bolsa-crack”. A bem intencionada ideia da gestão petista começou em janeiro de 2014 e previa retirar os viciados do local, oferecendo a eles um teto, três refeições diárias e um salário semanal de 115 reais por serviços como a varrição de ruas e praças (a jornada era de quatro horas por dia e o pagamento era feito em dinheiro vivo).

Em vez de resolver os problemas da Cracolândia, falhas graves na gestão do Braços Abertos aumentaram ainda mais a confusão no local. No início, as moradias destinadas aos dependentes passaram por uma reforma, que incluiu pintura, troca de piso e compra de mobiliário. Meses depois, esses ambientes viraram um cenário de desolação, com moradores convivendo com lixo, entulho e o movimento dos traficantes. Os hotéis cadastrados no programa corriam risco de incêndio agravado pela ausência de extintores, roubados para virar moeda de troca por pedras de crack, o mesmo destino de vários outros itens do mobiliário.

Esse não era o único ponto problemático do programa, que consumiu no início mais de 10 milhões de reais da prefeitura. O controle de frequência ao serviço dos dependentes cadastrados no trabalho de varrição era bastante frouxo, conforme mostrou reportagem de VEJA SÃO PAULO. Muitos apareciam cedo para marcar o ponto e desaparecem em seguida. Matavam o tempo perambulando pelas ruas ou não cumpriam nem metade da jornada de quatro horas.

Haddad chegou a comemorar os primeiros efeitos positivos do Braços Abertos com dados que apontavam para a diminuição do fluxo de dependentes no local e transformou o programa em um dos cartões-postais de sua gestão (voltou a citar com orgulho a iniciativa no debate deste domingo). Aos poucos, no entanto, devido às falhas de gestão do projeto, a multidão de dependentes voltou a ocupar em peso a Cracolândia.

Especialistas no assunto também criticaram à época o fato de o pagamento em dinheiro vivo aos dependentes não ser condicionado a uma redução no uso de drogas. A oposição do governo petista aproveitou para batizar o Braços Aberto de “bolsa-crack”, acusando o projeto de irrigar com dinheiro vivo o comércio de drogas na região. Com a derrota de Haddad na tentativa de reeleição à prefeitura (o tucano João Doria venceu o adversário no primeiro turno), o Braços Abertos foi encerrado. As gestões que o sucederam também falharam nas tentativas de abordagens diferentes para resolver o problema e a Cracolândia prossegue sendo um dos maiores retratos do fracasso da administração do poder público na cidade mais rica do país.

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Os quartos hoje têm banheiro …

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