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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A dobradinha Lula e Alckmin mais no ataque do que nunca

Ou que parece ter jogado junto a vida inteira...

Por Matheus Leitão 29 jul 2022, 22h29 | Atualizado em 8 ago 2022, 14h51
A dobradinha Lula e Alckmin mais no ataque do que nunca Priorizar nos meus resultados Google

Lula sempre foi bom em discursos, mesmo falando de improviso. Desde as greves no ABC, quando comandava somente os metalúrgicos e não todo o povo brasileiro, como fez entre 2003 e 2010, era segurando o microfone, olhando nos olhos do público e buscando as palavras “na alma” – como ele já confidenciou – que a estrela política brilhava.

Entre erros e acertos neste ano, com algumas boas escorregadas – ou ruins, no caso – o ex-presidente finalmente encontrou o tom. E não foi entre petistas, onde fica mais à vontade. Foi na convenção do PSB, partido com um histórico de alianças de esquerda, e que indicou um improvável vice, Geraldo Alckmin.

Improvável há um ano.

Porque – agora – os dois demonstram uma sintonia e tanto. Ao ver Lula e Alckmin, parece até aquele time de futebol que contratou dois jogadores bem diferentes – que ninguém nunca achou que pudessem jogar juntos em uma mesma equipe – mas se encaixam perfeitamente.

Meio Bebeto e Romário, o do futebol.

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Alckmin passa, Lula chuta para o gol. Lula dá de letra e Alckmin acerta o gol de fora da área.

Foi assim nesta sexta-feira, 29.

Em Brasília, em meio a alguns exageros, Lula disse: “Há seis meses, pouca gente acharia possível o que está acontecendo hoje. Estamos fazendo a mais importante aliança já feita entre os partidos democráticos desse país”.

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Enquanto o petista pregava a convertidos dizendo que o “povo está saturado, está enojado, cansado, de tanta mentira, fake news e destruição”, Alckmin tentava falar ao eleitorado bolsonarista-raiz: “Eu quero dizer a esses brasileiros: Bolsonaro falhou com vocês.”

Depois, a dobradinha se repetia. E dando sempre certo, bem mais que o capitão e o general.

Enquanto o ex-governador afirmava que o “plano ardiloso [de Bolsonaro] contra a democracia fracassou e as urnas irão livrar o Brasil de todo o mal que ele causou”, o ex-presidente explicava que é preciso “estabelecer uma relação de respeito com as Forças Armadas [para] recuperar a normalidade no Brasil”.

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E assim foram os dois políticos – dos mais experientes do país – gerando um clima de normalidade com a vitória. Isso, contra um dos presidentes que – no exercício do mandato e fora dele – já surpreendeu saindo do nada para voltar a vencer, quando ninguém mais acreditava.

O Brasil se acostuma com suas novidades. Eu não, confesso.

Nunca me acostumei com um presidente que idolatra a tortura e humilha o torturado, ainda mais quando, ao fazer isso, é alçado ao cargo mais importante do país.

Também parece difícil de acreditar ao ver o petista mais petista de todos, com o ex-tucano mais tucano que os outros, agora juntos. E como se o país tivesse sido sempre assim. O mais difícil de crer é justamente por isso: porque eles estão jogando – de verdade – muito bem.

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