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Como conquistar inimigos e afastar pessoas: Irã provoca hostilidade

A Arábia Saudita está plantando que a guerra ainda não pode acabar, emirados do Golfo sentem-se traídos e até Líbano expulsou enviados iranianos

Por Vilma Gryzinski 25 mar 2026, 06h32 | Atualizado em 25 mar 2026, 10h30

O Irã pretendeu se aproximar de potências sunitas como a Arábia Saudita e se fez de amigo de outros países da região. Está agora com uma coleção de inimigos, atingidos na infraestrutura e no amor-próprio por mísseis e drones, o que provocou uma quebra na tradicional política de cautela e ambiguidade. Veja-se o que aconteceu quando Donald Trump acenou com negociações que ninguém sabe exatamente como estão acontecendo. Sob o risco de ficar mal com o mais importante dos aliados, os sauditas plantaram no New York Times que o príncipe todo-poderoso, Mohammed Bin Salman, vê “uma oportunidade histórica” de criar um novo Oriente Médio.

+ Príncipe herdeiro da Arábia Saudita pressiona Trump a continuar guerra contra Irã, diz ‘NYT’

Seu argumento nada sutil: “o Irã representa uma ameaça de longo prazo” se não houver mudança de regime. Ou seja, os movimentos de Trump para apressar o fim da guerra, com a possibilidade de uma conferência de cúpula no Paquistão, e dá-la por vencida não vão colar, pois a serpente, como o país persa é conhecido pelos vizinhos árabes, sempre terá a arma de estrangular o Estreito de Ormuz e atacar instalações petrolíferas.

Como Trump lidará com a oposição de um dirigente que declaradamente adora, como MBS, sem contar Israel? É um dos muitos enigmas da situação atual. Mas para o príncipe saudita as provas foram sobejamente colocadas: a convivência ficou impossível.

+ O que se sabe sobre plano em 15 pontos dos EUA para fim da guerra com o Irã

Isso no prazo imediato. No longo prazo, um Irã agressivo e belicoso ameaça o próprio modelo de negócio dos países do Golfo, pensados para a era pós-petróleo como polos de estabilidade que podiam não ter as garantias da democracia, mas ofereciam previsibilidade, ambiente extremamente favorável aos negócios, zero de impostos na pessoa física e ilhas de estilo de vida à maneira ocidental.

Para dar uma ideia, Dubai, com seus minúsculos quatro mil quilômetros quadrados, foi em 2024 o país que mais atraiu milionários no mundo, batendo até os Estados Unidos e suas oportunidades fabulosas.

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MESADA DE US$ 500 MIL

Isso tudo pertence ao passado. Investidores e influenciadores hoje contemplam suas mansões em Dubai e não sabem quando voltarão para elas. Viver à espera do próximo drone é o oposto total da estabilidade vendida como um dos grandes atrativos. A Arábia Saudita sequer chegou a terminar o ambiciosíssimo projeto de, como os primos menores, também atrair turistas e investidores em qualquer coisa que não seja petróleo.

É essa a explicação para uma das grandes ironias dessa guerra. Enquanto jornalões dos Estados Unidos e Europa cospem fogo contra Trump, os árabes do Golfo fazem uma discreta linha cerrada contra o Irã. A ponto de que foi uma apresentadora da Al Jazira quem questionou duramente uma autoridade iraniana sobre os bombardeios contra o Catar.

Outra reviravolta inimaginável: o governo do Líbano decretou a expulsão do embaixador iraniano que, na prática, funcionava como emissário dos Guardiões da Revolução Islâmica para dar ordens ao Hezbollah.

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Por muitos e muitos anos, altos representantes do governo libanês simplesmente se curvaram à influência – e ao dinheiro – do Irã e do Hezbollah. Fala-se em mesada de 500 mil dólares como incentivo à colaboração. Agora, com os fundamentalistas xiitas e seus patronos iranianos provocando mais uma invasão israelense, o presidente e o primeiro-ministro do Líbano estão reagindo e encenando um movimento pelo desarmamento do Hezbollah. São poucas as chances de dar certo, mas é uma tristeza ver um país como o Líbano ser destruído, outra vez, por interesses alheios aos nacionais.

INIMIGOS UNIDOS

É claro que o país mais visceralmente oposto a deixar a guerra pela metade, com o regime iraniano intacto e o poder incontestado de fechar o Estreito de Ormuz, é Israel.

Desde o surpreendente anúncio de Trump sobre negociações, com a possibilidade de um cessar-fogo de um mês, o governo de Benjamin Netanyahu passou várias horas sem reagir oficialmente, tão surpreendido quanto todos os demais, mas correndo o risco de ter que escolher entre o presidente americano, ao qual tanto deve, e a inevitabilidade de uma campanha que ainda vai demorar “algumas semanas”, na definição do comando das Forças de Defesa de Israel.

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A vida, estamos descobrindo, não imita os videogames e uma guerra aérea com armamentos convencionais não tem a possibilidade de derrotar instantaneamente um inimigo do tamanho do Irã, dedicado durante décadas a se preparar para fazer exatamente o que está fazendo: atacar alvos civis, em Israel e nos países do Golfo, esperando furar o escudo protetor de mísseis Patriot e sistemas THAAD. Inevitavelmente, isso acaba acontecendo, mesmo que vítimas e estragos sejam bastante reduzidos.

Com os instrumentos que tem, e diante dos danos sofridos, o Irã está se saindo razoavelmente bem em não dar sossego aos vizinhos. Também entendeu que a batalha da opinião pública é um dos pontos fracos de Trump. Do lado negativo, estão os inimigos que colecionou, agora todos unidos em implorar a Trump: Não pare agora, de jeito nenhum. Para eles, seria uma desgraça. O que Trump vai fazer, evidentemente, é um mistério. A emergência do Paquistão como intermediário em negociações é uma novidade. E continua um enigma quem está falando pelo lado iraniano.

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