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Irá direita dividida permitir que esquerda continue no poder na Colômbia?

Pesquisas sobre o segundo turno da eleição presidencial não estão claras, mas indicam chances para o esquerdista Iván Cepeda

Por Vilma Gryzinski 5 Maio 2026, 06h37

Depois da experiência com Gustavo Petro, os eleitores colombianos estavam vacinados, certo? Errado. A ascensão de um candidato fora dos padrões, Abelardo de la Espriella, um advogado com características folclóricas que evocam comparações inevitáveis com Jair Bolsonaro, Javier Milei e, mais recentemente, o chileno José Antonio Kast, está bagunçando o coreto para a eleição presidencial de 31 de maio – e pode arrastar a direita para uma derrota.

O que parecia uma eleição resolvida, com a senadora Paloma Valencia, candidata do Centro Democrático – de direita, sob a liderança do ex-presidente Álvaro Uribe -, vencendo no segundo turno, agora virou um cenário de alta imprevisibilidade.

Na mais recente pesquisa, De la Espriella passou à frente da senadora e se tornou o mais cotado para ir ao segundo turno contra Iván Cespeda, um clássico candidato de esquerda, sem o destempero verbal e emocional de Petro, o que lhe garante a liderança no primeiro turno, com 37,2%.

De la Espriella inverteu o jogo e agora tem 20,4% das intenções de voto, enquanto Paloma Valencia caiu para 15,6%. A senadora, de uma tradição de políticas colombianas com fogo nas ventas, está sentindo a concorrência e fazendo um discurso mais moderado, para se distinguir do arrebatado azarão da direita. Chegou a elogiar a política de distribuição de terras de Gustavo Petro – algo praticamente impensável até que as recentes reviravoltas nas pesquisas. Hoje deve ter um muito aguardado debate com Cespeda.

A Colômbia tem uma tradição de partidos bem definidos tanto de direita quanto de esquerda. Iván Cespeda, por exemplo, tem uma carreira independente de Gustavo Petro, o que talvez o ajude. Foi para o exílio quando era criança e, na volta à Colômbia, seu pai, um conhecido comunista, foi assassinado por paramilitares de extrema-direita. Cepeda, formado em filosofia na Bulgária, abandonou a linha stalinista e adotou um esquerdismo mais parecido com o do PT.

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DIREITA AUTOFÁGICA

De la Espriella apela às ideias contrárias e à imagem de advogado bem sucedido, milionário por direito próprio e gabaritado para ser o candidato antissistema. “Não devo nada a ninguém e por isso posso enfrentar o poder sem me ajoelhar”, costuma dizer.

Num país que faz o Brasil parecer uma ilha de tranquilidade, tal o poder do narcotráfico e dos remanescentes de grupos armados que continuam a infernizar a população, com uma recente retomada de atentados terroristas, ele apela à linha dura em matéria de segurança, ressaltando a identificação, mais além da barba desenhada, com o salvadorenho Nayib Bukele. Uma de suas frases literalmente bombásticas: “Sou capaz de bombardear, fumigar e atuar com mão de ferro contra criminosos e corruptos”.

No segundo turno, pesquisas mais recentes indicam empate técnico: 40,6% dos votos para ele, contra 40,4% para Iván Cespeda. Paloma Valencia teria uma vantagem maior, de 44,6%. Outras pesquisas mostram números invertidos, indicando que a situação ainda é fluída e não dá para cravar um resultado definitivo. Mas o fato é que a direita dividida está beneficiando a esquerda e até amenizando a rejeição que Gustavo Petro desperta.

O fato é que nem o outro assunto que obceca os colombianos – o destino dos oitenta hipopótamos descendentes de animais trazidos originalmente por Pablo Escobar – provoca tantas discussões quanto a direita autofágica, com reais possibilidades de perder uma eleição que parecia garantida.

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