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Bets disparam com Copa e acendem alerta no sistema financeiro

Com gasto mensal de R$ 30 bilhões, mercado estima nova onda de apostas durante a Copa, elevando o risco de endividamento das famílias

Por Neuza Sanches Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jun 2026, 10h00
Bets disparam com Copa e acendem alerta no sistema financeiro Priorizar nos meus resultados Google

A Copa do Mundo virou gasolina jogada na fogueira das bets. A competição chega em um momento em que o mercado de apostas esportivas avança rápido no Brasil, devorando uma parcela do orçamento das famílias. Segundo o Banco Central, os brasileiros destinam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês às plataformas de bets, o que mostra que a Copa não inaugura esse movimento, mas incide sobre uma base já muito alta.

Por isso, o cenário indica um choque adicional de volume durante o torneio. Projeções de mercado baseadas no histórico recente do setor e na intensificação esperada do uso do Pix durante a competição indicam que a Copa tende a concentrar, em poucas semanas, um fluxo de apostas equivalente a algo próximo de um “mês adicional” de movimentação. Em outras palavras, o evento esportivo funciona como acelerador de um mercado que já opera em escala bilionária no cotidiano brasileiro.

Esse avanço ganha dimensão ainda maior quando se observa o número de brasileiros já inseridos nesse circuito. Dados do Ministério da Fazenda apontam que 25,2 milhões de brasileiros fizeram apostas nas bets autorizadas no ano passado, revelando uma base de usuários massiva, espalhada pelo País e já incorporada à rotina de consumo digital. Quando essa base encontra um evento de apelo emocional e mobilização nacional como a Copa do Mundo, a tendência é de intensificação das apostas, com aumento do ritmo de depósitos e maior exposição financeira das famílias em um intervalo curto de tempo, avaliam especialistas do mercado financeiro.

A preocupação, porém, vai muito além do comportamento do mercado e alcança diretamente a economia doméstica. Estudos apontam que o avanço das bets tem se sustentado em recursos que antes eram voltados ao consumo, lazer, poupança e despesas essenciais, afetando especialmente as classes de menor renda e agravando situações de perda de controle financeiro. Em um ambiente de pagamentos instantâneos, em que a transferência é simples, contínua e de baixa fricção, a combinação entre apelo esportivo, impulsividade e facilidade de transação amplia o risco de superendividamento e de deterioração do orçamento familiar.

Não por acaso, o setor financeiro voltou a reagir. A Febraban já defendeu perante o Ministério da Fazenda a suspensão temporária ou a limitação do uso do Pix para pagamentos em apostas online, sob o argumento de que a velocidade dessas transações potencializa o endividamento e exige medidas emergenciais de contenção. Com a Copa funcionando como catalisador de mais uma onda de apostas, volta a pipocar a avaliação de que algo precisa ser feito para conter o crescimento desse mercado, porque seus efeitos fazem mal ao País e também aos brasileiros: drenam renda das famílias, pressionam o consumo, enfraquecem a saúde financeira da população e criam novas tensões para o sistema de pagamentos.

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*A coluna voltará em Agosto

 

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