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Negócios, Mercados & Cia

Pix e cartões: a disputa que espreme o varejo

A pressão sobre empresas para reduzir a exposição do Pix escancara a assimetria de um mercado em que o crédito rotativo ainda cobra juros de 440% ao ano

Por Neuza Sanches Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 abr 2026, 10h00
  • Pipocam no País relatos de pressão das empresas de cartão de crédito sobre micro, pequenas e médias varejistas para desestimular o uso do Pix, com a oferta de maior desconto no pagamento à vista. Em muitos casos, lojistas já evitam divulgar o Pix nas redes sociais, por receio de perder bandeiras e condições comerciais essenciais ao negócio.

    Nesse contexto, a pressão externa vinda do governo Donald Trump parece ter surtido efeito: depois de o governo norte-americano ter colocado o sistema brasileiro de pagamentos no centro de críticas comerciais, as empresas de cartão de crédito parecem ter se sentido mais confortáveis para endurecer o tom com o varejo nacional. O sinal político vindo de fora, ainda que indireto, pode estar funcionando como um tipo de aval para que bandeiras e adquirentes se movimentem com mais agressividade na tentativa de conter a expansão do Pix e preservar seu espaço nas vendas do comércio.

    Fato é que esse movimento interno de algumas empresas de cartões de crédito merece leitura concorrencial. A Lei nº 12.529/2011, que organiza a defesa da concorrência no Brasil, alcança condutas que restrinjam a competição, elevem custos de rivais ou limitem a disputa entre meios de pagamento. Em termos práticos, quando um agente tenta desestimular um instrumento mais eficiente para preservar sua posição no mercado, o tema pode ser examinado sob a ótica antitruste.

    Embora o Pix tenha ganhado escala muito superior à do cartão de crédito em 2025, isso não elimina o poder de pressão das bandeiras sobre o varejo. O Banco Central registrou que o Pix movimentou R$ 35,36 trilhões no ano passado, com 79,8 bilhões de transações, enquanto que o segmento do cartão de crédito movimentou cerca de R$ 3,1 trilhões – com juros médio na casa de 440% em 2025, segundo o Banco Central. Isso mostra a hegemonia do Pix como instrumento de pagamento, mas também a relevância estrutural ainda existente do cartão no financiamento ao consumo.

    Vale lembrar ainda um ponto que ajuda a entender a escalada dessa disputa: o Banco Central chegou a trabalhar com a ideia do Pix parcelado, mas acabou desistindo da iniciativa, sob a justificativa de entraves técnicos. A dúvida que permanece é se o recuo foi apenas operacional ou se, na prática, o sistema já esbarrava na resistência de um mercado em que o cartão de crédito não quer perder ainda mais espaço.

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