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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Impeachment está virando uma coisa banal no Brasil

Exceção com jeito de regra

Por Ricardo Noblat 18 set 2020, 09h00 | Atualizado em 18 set 2020, 11h00
Impeachment está virando uma coisa banal no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

No início do segundo semestre de 1992, quando quase todos os líderes políticos mais importantes do país já estavam a favor, e a Comissão Parlamentar de Inquérito convencida de que o presidente Fernando Collor deveria ser removido do cargo por crime de corrupção, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB), ex-presidente da Câmara e da Constituinte, ainda era contra.

Dizia que faltavam provas definitivas de que Collor roubara ou se beneficiara de dinheiro de caixa 2 arrecadado pelo empresário Paulo César Farias que fora o tesoureiro de sua campanha. Dizia que indícios não provam nada, só fatos comprovados provam. E que não se poderia derrubar um governo sem se saber como seria o dia seguinte. Foi um dos últimos a aderir ao impeachment.

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O impeachment banalizou-se desde então. Dilma Rousseff foi derrubada sob a acusação de ter atropelado a Lei de Responsabilidade Fiscal, gastando além do que fora autorizada pelo Congresso. Nada estranho aos que a antecederam no cargo. Michel Temer foi duas vezes denunciado por corrupção e por duas vezes conseguiu escapar de ser deposto.

Somente ontem, três pedidos de impeachment foram votados no país. Pelo apertado placar de 24 votos contra 20, a Câmara de Vereadores do Rio rejeitou a abertura de processo para remover do cargo o prefeito Marcelo Crivella. Por 24 votos contra nenhum, a Assembleia Legislativa avançou com o impeachment do governador já afastado do cargo Wilson Witzel.

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E, em Santa Catarina, por 33 votos contra 6, a Assembleia Legislativa aprovou a abertura do processo de impeachment do governador Carlos Moisés e da sua vice Daniela Reinehr. Se os dois afinal caírem, assumirá o governo o presidente da Assembleia, deputado Júlio Garcia, 12 vezes denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro.

Witzel é um ex-juiz, Moisés, um ex-bombeiro. Os dois jamais haviam disputado uma eleição. Surfaram na onda de Bolsonaro e se elegeram no primeiro turno. Foi assim também com Wilson Lima, ex-radialista, governador do Amazonas, alvo de um recente pedido de impeachment. Lima livrou-se do pedido, mas outros 8 estão para ser examinados pela Assembleia Legislativa do Estado.

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A atual Constituição carrega traços do regime parlamentarista que já foi recusado por plebiscito duas vezes. A substituição amiúde de governantes é própria do parlamentarismo. A Itália é o melhor exemplo. Seu atual governo é o 66º desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Os chefes do Executivo italiano permaneceram no cargo por uma média de 405 dias (um ano, um mês e dez dias).

O presidencialismo está ficando com jeito de parlamentarismo à moda brasileira.

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