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Planeta IA

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Inteligência artificial, tecnologia e o que tudo isso muda na sua vida

Como deixar os textos do ChatGPT menos irritantes

Tudo bem contar com ajuda da IA para escrever, mas dá para tornar o resultado menos genérico com algumas medidas práticas. Aprenda aqui!

Por Alvaro Leme 7 Maio 2026, 06h00

Algumas pessoas odeiam textos feitos com IA. Outras acham que facilita a vida. E eu arriscaria que a maioria do público não está nem aí para isso, a bem da verdade.

Agora, é fato que o ChatGPT escreve de maneira genérica, polida demais, e que com o tempo isso se torna muito irritante. (Dependendo do seu nível de paciência, esse prazo pode ser bem curto.)

Dá para evitar isso? Tem como amenizar bem, se você tomar algumas medidas para personalizar o modelo e na hora de dar os comandos para a IA. Conto tudo nos blocos abaixo.

Configure o ChatGPT antes de começar a escrever

O ChatGPT tem uma função chamada Instruções Personalizadas que resolve boa parte do problema antes mesmo de você digitar o primeiro pedido.

Ela fica em Configurações → Personalização → Instruções personalizadas e está disponível para todos os planos, inclusive o gratuito.

Funciona de um jeito simples: você preenche alguns campos uma única vez, e o modelo passa a aplicar essas preferências em todas as conversas novas.

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Você vai ver que tem como especificar o estilo e o tom, dizer se quer que a IA seja mais entusiasmada (eu escolhi deixar MENOS, porque ela já é bem “extra” o tempo todo), se prefere que use menos emoji… Ou seja, já deixa mais com a sua cara.

Na mesma tela, você vai achar o campo que falei, o Instruções Personalizadas, onde você pode dizer o que quer e o que não quer que ele faça.

Descendo mais um pouco, no espaço “Sobre você” é possível especificar mais dados que quer que a IA memorize a seu respeito.

Aqui deixo um exemplo pra você colar na parte “Instruções Personalizadas”, mas o ideal é adaptar para ele se comportar como você achar melhor:

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Escreva em português brasileiro natural. Evite: robusto, assertivo, sinérgico, holístico, disruptivo, “no mundo atual”, “em um cenário cada vez mais”, “cabe ressaltar”, “neste sentido”, “é fundamental destacar”, “diante do exposto”. Nunca comece com uma definição do tema. Sem bullet points quando prosa funcionar melhor. Não explique termos que o leitor já conhece. Evite entusiasmo vazio — não diga que algo é revolucionário, diga o que ele faz. Escreva em parágrafos corridos, com frases médias.

Vale revisar esse texto de tempos em tempos, porque não só os modelos de IA evoluem depressa como a gente aos poucos pega ranço de determinadas palavras e construções de frase. Faça desse espaço um reflexo do que espera que a ferramenta entregue.

O que fazer dentro de cada prompt

Mesmo com as instruções salvas, cada pedido específico precisa de orientação. Quatro informações resolvem a maior parte dos casos:

  • Quem você é e para quem escreve. Claro, isso aqui só vale se o contexto não for o mesmo das instruções fixas. Daí você pode atualizar ali mesmo no prompt. “Escrevo para gestores de RH que não têm formação técnica” já é suficiente para o modelo calibrar o nível.
  • Onde o texto será usado. E-mail interno, post no LinkedIn, coluna de jornal, roteiro de vídeo — o formato muda completamente o que o ChatGPT vai entregar. Sem essa informação, ele escolhe por você (o que raramente dá certo).
  • O tom que você quer. Direto, informal, técnico, irônico. E se tiver um texto seu que sirva de referência, cole um trecho e diga: “escreva com o tom deste exemplo, não com o padrão do ChatGPT”. Funciona melhor do que qualquer adjetivo.
  • O tamanho exato. Nunca diga “texto curto”. Diga “três parágrafos” ou “até 200 palavras”. Se precisar de tamanho específico (tipo 2000 caracteres), talvez você precise cortar, porque é comum a IA se embananar com número de toques.

Proíba os cacoetes de IA que mais odeia

Desde que proibi certas palavras nas instruções personalizadas, ele realmente obedeceu. Mas, dependendo dos termos e expressões que você quer evitar (e do quanto de irritação eles despertam em você), vale vetar de novo nos prompts.

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Alguns exemplos com “cara de IA”:

  • As palavras de consultor — “robusto”, “sinérgico”, “estratégico”, “holístico”, “disruptivo”. Se aparecerem, o texto já denunciou a origem.
  • As aberturas de IA — “No mundo atual”, “Em um cenário cada vez mais”, “É inegável que”. Peça para começar com um fato, uma pergunta ou uma afirmação direta.
  •  Os conectivos de relatório — “Neste sentido”, “Cabe ressaltar”, “É fundamental destacar”, “Diante do exposto”.
  • Excesso de listas — o ChatGPT adora transformar tudo em bullet points (eu gosto também, porque facilita a leitura, preciso confessar). Mas, se você preferir prosa, diga explicitamente: “sem listas, escreva em parágrafos corridos”.
  • O entusiasmo vazio — “revolucionário”, “transformador”, “sem precedentes”. Peça para descrever o que a coisa faz, não o quanto ela é incrível. (Sério, quando ele diz “isso muda o jogo” eu fico muito irritado.)
  • Use a memória como reforço

Além das Instruções Personalizadas, o ChatGPT tem uma função de Memória que funciona de forma complementar. Enquanto as instruções você preenche manualmente, a memória é construída pelo uso: tanto a IA aprende aos poucos quanto você pode escolher especificamente coisas para ela memorizar a partir daquele momento.

Como se faz isso? Basta dizer: “lembre que meus textos nunca usam bullet points” ou “lembre que escrevo para leitores leigos em tecnologia”. O modelo salva isso e aplica nas próximas conversas. Para checar o que ele já guardou sobre você, pergunte diretamente: “O que você lembra sobre mim?” As memórias ficam em Configurações → Personalização → Memória → Gerenciar memórias, onde você pode editar ou apagar o que não serve.

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APOCALIPSE: Quando o texto saiu ruim mesmo assim

Não peça do zero de novo. Tente editar com prompts bem objetivos, tipo:

  • “Reescreva este texto eliminando todas as frases que começam com substantivo abstrato.”
  • “Reescreva como um jornalista de revista, não como um consultor de PowerPoint.”
  • “Qual frase deste texto soa mais artificial? Reescreva só ela.”

Cada um desses comandos força o modelo a olhar para o problema de um ângulo específico, o que gera resultado melhor do que recomeçar do zero.

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professor de pós-graduação e palestrante

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