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Planeta IA

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Inteligência artificial, tecnologia e o que tudo isso muda na sua vida

Executivos não se reconhecem como parte da classe trabalhadora

A conclusão é de Debora Emm, CEO da Inesplorato, consultoria que acaba de lançar um interessante estudo sobre adoção de IA no mundo corporativo

Por Alvaro Leme 15 Maio 2026, 10h25

Se existisse máquina do tempo e a gente pudesse voltar para dez anos atrás, veria que o discurso sobre IA não costumava incluir atividades de liderança entre as ameaçadas pela automação do trabalho.

Perder espaço para a IA era visto como algo mais do chão de fábrica do que dos escritórios envidraçados de onde partem as ordens.

Esse cenário mudou com a chegada dos modelos generativos, que não só colocaram na mira muitos ofícios criativos como parte do que se realiza no cotidiano corporativo.

Conversei sobre isso com Débora Emm, da consultoria Inesplorato, que reuniu cinco empresas brasileiras — Indique, Mandalah, NewNew, Talk INC e Think Eva — para produzir um guia prático sobre adoção ética de inteligência artificial nas organizações.

O medo de ser substituído por uma IA atravessa a hierarquia das empresas de maneira equivalente?

No caso da IA generativa, a ameaça parece ser bem distribuída entre diferentes hierarquias. Até CEOs estão declarando se sentirem ameaçados. A IA interfere nas condições e no contexto do trabalho corporativo como um todo.

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A tecnologia funcionou como um “chá revelação de classe social” para muitos executivos?

Sim e não. Sim, eles estão percebendo que estão sendo afetados, que o dia a dia está mudando, que as cobranças estão sendo transformadas e que existe um perigo de obsolescência no ar. Mas executivos não se percebem como trabalhadores. Quando foi a última vez que você ouviu falar de uma greve de executivos? Eles se pensam de forma individual, se identificam com o topo das hierarquias e não com a base.

O nome do seu estudo é “Diretrizes para Adoção Ética e Estratégica de IA no Trabalho Corporativo”. Quais são as três mais importantes?

Primeiro, trate máquinas como máquinas: a gente precisa parar de usar ferramentas como se fossem pessoas. Máquina não pensa, não dá conselho, não têm autonomia e responsabilidade como humanos. Segundo, trate humanos como humanos. Historicamente, modelos de gestão foram desenhados para diminuir e reprimir tudo aquilo que é humano e ameaça a estabilidade das empresas. Por fim, priorize problemas antigos e transversais: a adoção de inteligência artificial precisa ter os problemas da sociedade no centro para que seus efeitos sejam de fato positivos.

Uma parte do estudo mostra levantamento da Talk sobre uso de IA. Que conclusões vieram desse trecho da pesquisa?

A IA já é uma realidade massiva no Brasil (89% das pessoas estão usando, em 2024 estávamos em 63%), gera uma transformação na capacidades de trabalho (74% das pessoas sentem que ampliaram de alguma forma suas capacidades) e alguns temas preocupantes precisam mesmo ser levados a sério, como a antropomorfização, 58% dos entrevistados usam a IA como amigo/conselheiro.

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Que competências serão importantes para os profissionais dos próximos anos?

Está quase virando um clichê a defesa das habilidades humanas para a era da IA e não tenho como fugir disso. Criar, ponderar com empatia, analisar o tempo de forma expandida, trabalhar de forma colaborativa e especialmente PENSAR. Já deu para ver como a IA generativa leva a gente para um lugar de padronização, vai se destacar aqueles que investirem pesado na sua própria autenticidade e souberem usar a IA como uma ferramenta que abre novas formas para o exercício de criar.

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professor de pós-graduação e palestrante

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