Você pode ganhar dinheiro treinando IA (mesmo sem entender de computação)
Essa é a proposta da Vetto AI, startup que oferece até R$ 600 por hora a pessoas com conhecimentos sólidos em áreas como medicina, marketing, leis e compras
Lembra quando diziam algo como “seu filho vai viver de um trampo que ainda não foi inventado”? Esse aqui parece ser um caso assim: a startup Vetto AI recruta especialistas em áreas diversas para interagir com modelos de inteligência artificial.
Não precisa entender de IA, mas é necessário possuir conhecimentos profundos sobre determinadas áreas. Os selecionados trabalham de maneira remota, ligados a um projeto com prazo para terminar e recebem por hora.
Conversei com Roberta Antunes, uma das fundadoras da Vetto AI, para entender melhor como funciona
VEJA: Quanto uma pessoa pode ganhar treinando IAs?
Roberta Antunes: Nosso pagamento costuma variar entre R$ 300 e R$ 600 por hora.
Por hora? Nossa, vai chover gente se candidatando.
Pois é, mas, há um processo seletivo, e em muitos casos a pessoa precisa saber falar inglês. E eu preciso de pessoas altamente qualificadas, com conhecimento profundo das áreas que interessam nossos clientes.
Que áreas seriam essas?
Depende do projeto. A gente costuma ter vagas disponíveis, por exemplo, para profissionais de marketing, finanças, viagens, engenheiros, advogados, médicos, nutricionistas, professores… É bem amplo.
Pessoas com aprendizado formal apenas.
Não necessariamente. Tem casos em que a gente precisa de um expert em compras on-line ou de alguém que tenha viajado muito e adquiriu esses conhecimentos na prática.
Precisa saber usar inteligência artificial?
Isso é menos importante do que o conhecimento específico que aquele profissional detém.
De quem são as IAs que você treina? Ou seja, quem é seu cliente?
Não posso mencionar os nomes especificamente, mas são as grandes empresas que criam IA, os frontier labs.
Antes de serem lançadas, as IAs já passam por um treinamento. O que elas precisam aprender com os experts que você contrata?
Os modelos realmente aprendem com quantidades enormes de dados, mas precisam de um ajuste fino, e nosso trabalho entra nessa etapa. Para conectar melhor os algoritmos ao mundo real com mais precisão.
Esse trabalho funciona como uma renda extra, e não como uma nova profissão, certo?
Nossa proposta inicial é ser uma renda extra, de fim de semana, mas tem pessoas que começam a pegar o máximo possível de horas. Alguns emendam um projeto no outro, quando possível.
Na prática, esse treinamento de IA consiste em quê?
A gente tenta fazer com que você complete uma tarefa em mais ou menos uma hora. Se é um médico, talvez ele tenha de revisar um diagnóstico, por exemplo. O que é interessante para a gente é entender como a pessoa na vida real resolveria aquele problema, qual é o processo decisório para entender aquele problema. Ensinar isso para o modelo.
O brasileiro é desconfiado por natureza. As pessoas vão ler essa entrevista e achar que é pegadinha, especialmente com esse valor pago por hora.
Um dos motivos pelos quais a gente paga bem é que realmente treinar um modelo com dado errado custa caro. Então, a gente quer os melhores, a gente quer gente boa em cada área. Grande parte do nosso time é do Brasil, mas a gente tem experts no mundo inteiro, então o nosso preço está alinhado com o cenário global.
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Para se candidatar a uma vaga de expert na Vetto AI, os interessados devem acessar o site da empresa, onde é possível se inscrever em oportunidades específicas ou realizar um cadastro na base geral de talentos.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda em 5 Minutos





