A caixa de Pokémon de R$ 200 mil que Memphis quer abrir com Neymar
Febre entre celebridades combina nostalgia, especulação e audiência, além de movimentar um mercado bilionário
Neymar e Memphis Depay entraram em uma brincadeira que começa em pacotinhos de 15 reais e pode terminar em peças avaliadas em centenas de milhares. Depois de Neymar encontrar cartas estimadas em 15 mil reais durante uma transmissão, o jogador do Corinthians prometeu levar ao amigo uma antiga caixa de Pokémon cujo valor pode se aproximar de 200 mil reais.
Os produtos exibidos pelos dois, porém, pertencem a mercados diferentes. Neymar abriu envelopes modernos, vendidos no Brasil por cerca de 15 reais e recheados com cartas aleatórias. A sorte foi encontrar um raro “god pack”, no qual praticamente todas as cartas são versões especiais.
Memphis mostrou outra categoria de colecionável: envelopes antigos ainda lacrados e protegidos em caixas de acrílico. Entre eles estavam um Fossil de primeira edição, lançado em 1999, e um EX Dragon, de 2003. Só esses pacotes podem valer alguns milhares de reais cada.
A caixa prometida a Neymar é da coleção Fossil e contém 36 envelopes. O preço de 200 mil reais divulgado nas redes está próximo das cotações mais altas do mercado. Em abril, duas caixas da mesma coleção foram arrematadas por valores equivalentes a aproximadamente 159 mil e 165 mil reais.
O negócio já está muito além do universo infantil. A Pokémon produziu cerca de 10 bilhões de cartas apenas no último exercício, elevando o total histórico para mais de 85 bilhões. A companhia encerrou fevereiro com receita recorde de 531 bilhões de ienes, ou cerca de 19 bilhões de reais, embora não revele quanto desse faturamento veio especificamente das cartas.
É também um mercado concentrado e arriscado. Um estudo que acompanhou 300 cartas vendidas no eBay encontrou preço mediano inferior a 2 euros. As holográficas representaram apenas 10,9% das unidades negociadas, mas responderam por 44,7% da receita.
Para um colecionador comum, abrir uma caixa antiga pode destruir o prêmio embutido no lacre em troca da remota possibilidade de encontrar uma carta ainda mais valiosa. Para Neymar e Memphis, a conta é diferente: a abertura também produz audiência, publicidade e repercussão. O pacotinho virou, ao mesmo tempo, ativo de coleção, bilhete de loteria e conteúdo para as redes sociais.







