ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Radar Econômico

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças

A contraofensiva do iFood no Cade

Líder do delivery pede ao Cade que investigue a guerra de subsídios de rivais estrangeiros como Keeta e 99Food

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 11h24 | Atualizado em 29 jun 2026, 11h45
A contraofensiva do iFood no Cade Priorizar nos meus resultados Google

O mercado de delivery de comida entrou em nova fase no Cade. Em vez de uma discussão restrita à participação de mercado das plataformas, o debate agora avança para a estrutura de custos, a política de preços e a guerra de subsídios usada por novos entrantes para ganhar escala no Brasil.

O movimento mais recente veio do iFood, um dos principais participantes históricos do setor. Em petição protocolada em 26 de junho, a empresa usou a nota técnica do Departamento de Estudos Econômicos do Cade para pedir que a autarquia aprofunde a análise sobre a precificação das plataformas que atuam no delivery de comida.

O pedido foi feito no âmbito do acompanhamento de mercado aberto pela Superintendência-Geral do Cade em novembro de 2025. O procedimento mira a dinâmica competitiva em cinco praças: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Santos e São Vicente. São mercados em que o órgão identificou movimentações relevantes de entrada e expansão de plataformas como Keeta, marca internacional da chinesa Meituan, e 99Food, controlada pela DiDi, além da atuação de empresas já estabelecidas, como iFood e Rappi.

A nota técnica do DEE, divulgada em 2 de junho, não acusa nenhuma empresa de infração no Brasil. O documento é uma etapa de diagnóstico e benchmarking internacional. Mas trouxe para o centro do processo uma preocupação sensível: em mercados digitais, empresas com grande capacidade financeira podem usar subsídios agressivos para acelerar ganho de escala, operar abaixo do custo por longos períodos e alterar a estrutura competitiva antes que o regulador consiga reagir.

O Cade cita experiências internacionais em países como China, Índia, África do Sul, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e Qatar. O levantamento mostra que autoridades concorrenciais passaram a olhar com mais atenção para estratégias de blitzscaling, cupons em massa, frete grátis, comissões reduzidas ou zeradas para restaurantes e bônus elevados para entregadores.

Continua após a publicidade

É nessa brecha que o iFood tenta avançar. Na petição, a empresa afirma que o diagnóstico do Cade reforça preocupações sobre práticas predatórias no setor e pede que a Superintendência-Geral e o DEE solicitem dados detalhados sobre a estrutura de custos e a política de preços das plataformas de delivery.

Na prática, o iFood quer que o órgão investigue se a atual guerra promocional pode configurar preço predatório — a venda abaixo do custo com potencial de enfraquecer concorrentes e consolidar posição de mercado no futuro.

O alvo principal, embora o pedido seja formalmente dirigido a todos os players do setor, é a expansão de Keeta e 99Food. O iFood cita a força financeira de Meituan e DiDi, os recursos disponíveis em caixa e precedentes internacionais nos quais a entrada agressiva de plataformas de bolso fundo levou a mudanças relevantes na competição local.

Continua após a publicidade

Um dos exemplos usados é Hong Kong, onde a Keeta avançou rapidamente e a Deliveroo acabou deixando o mercado após nove anos de operação. O documento também menciona iniciativas recentes de autoridades estrangeiras para limitar guerras de preços e disciplinar subsídios em plataformas digitais.

A disputa, portanto, deixa de ser apenas sobre quem tem mais participação no delivery brasileiro. O processo passa a discutir também quem tem capacidade de bancar prejuízos prolongados, como esses subsídios são financiados e em que ponto uma promoção agressiva deixa de ser competição saudável para se tornar risco concorrencial.

O ponto de atenção para o Cade é duplo. De um lado, subsídios podem beneficiar consumidores, restaurantes e entregadores no curto prazo. De outro, se forem usados para comprar mercado e inviabilizar concorrentes, podem reduzir a competição no médio prazo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Premium

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 24,99/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).