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Entidades pressionam CVM após flexibilizar reporte de sustentabilidade

CFC, Ibracon, Apimec, Fipecafi, IBGC, ANEFAC e Amec dizem que mudança pode ampliar assimetria de informação e impor custo reputacional ao Brasil

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jun 2026, 14h14
Entidades pressionam CVM após flexibilizar reporte de sustentabilidade Priorizar nos meus resultados Google

Uma frente de entidades ligadas ao mercado de capitais, à contabilidade, à auditoria e à governança corporativa enviou à CVM uma nota técnica pedindo que a autarquia reconsidere a decisão de tornar voluntária a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade pelas companhias abertas. O documento, obtido pelo Radar Econômico, mira a Resolução CVM 244, publicada no fim de maio, que alterou a regra anterior e retirou a obrigatoriedade futura dos reportes.

A manifestação é assinada por CFC, Ibracon, Apimec Brasil, Fipecafi, IBGC, ANEFAC e Amec. Na prática, o grupo tenta fazer a CVM dar um freio de arrumação em uma decisão já tomada — e expõe desconforto com a mudança de rota da autarquia. As entidades afirmam ter sido surpreendidas pelo recuo, sobretudo porque, segundo elas, a própria CVM havia reconhecido no início do ano a consistência da regra anterior e indicado que não haveria novas alterações.

O ponto central da carta é que o modelo voluntário pode reduzir a comparabilidade entre companhias abertas, enfraquecer a conexão entre sustentabilidade e demonstrações financeiras e ampliar a assimetria de informação no mercado. Para as entidades, a flexibilização abre espaço para que empresas comparáveis divulguem — ou deixem de divulgar — informações relevantes segundo critérios próprios.

Há também um alerta reputacional. O grupo sustenta que o recuo ocorre justamente em um momento de consolidação internacional dos padrões de sustentabilidade ligados ao ISSB e ao CBPS. Na avaliação das entidades, uma mudança desse tipo pode ser lida por investidores, agências de risco e organismos multilaterais como sinal de descontinuidade regulatória no Brasil.

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As entidades reconhecem a preocupação da CVM com os custos de adaptação para as empresas, especialmente as de menor porte. Mas argumentam que o próprio arcabouço regulatório já previa mecanismos de proporcionalidade e que uma decisão dessa magnitude deveria ser precedida de uma análise mais profunda de impactos. Ao fim do documento, o grupo pede expressamente a reconsideração da supressão da obrigatoriedade futura dos relatórios de sustentabilidade.

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