Índice sensor da indústria mostra que setor segue puxando o freio
Atividade fraca e juros pesam - veja mais no programa Mercado
O termômetro da FIESP (Federação das Indústria de São Paulo) para março trouxe um retrato conhecido — e ainda desconfortável. O índice Sensor marcou 48,8 pontos, até avançou na margem, mas continua abaixo da linha que separa crescimento de retração. Traduzindo: a atividade fabril segue encolhendo, pressionada por uma demanda que não reage e por estoques acima do desejado. Não é uma surpresa, mas reforça que o setor ainda patina para ganhar tração em 2026.
Quando se olha por dentro do indicador, o cenário fica ainda mais claro. As vendas recuaram e a percepção de mercado continua em território negativo, mostrando que o empresário segue sem enxergar um horizonte de melhora no curto prazo. Os estoques elevados ajudam a explicar essa dinâmica: produto parado significa produção mais contida à frente. E, no pano de fundo, os juros seguem como um freio potente — com a Taxa Selic em 14,75% ao ano, o custo do dinheiro limita decisões de investimento, que até reagiram no mês, mas ainda não cruzaram a linha da expansão.
A exceção — e um ponto que chama atenção — veio do emprego. O indicador de trabalho ficou acima dos 50 pontos, sinalizando aumento nas contratações. É um dado que destoa do restante e sugere alguma resiliência do setor, possivelmente ligada a ajustes pontuais ou expectativas específicas de produção. Ainda assim, o quadro geral é de baixo dinamismo: a indústria paulista entra no ano carregando desafios estruturais e dependendo de uma combinação mais favorável de demanda e juros para, de fato, sair do lugar.







