O alerta de Tony Volpon
A "linha reta" dos juros tornaria a explosão do déficit uma certeza matemática
O economista e ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, disparou um alerta preocupante sobre o desenho atual da curva de juros no Brasil. Segundo ele, o mercado desenhou uma “linha reta” nas projeções de longo prazo, o que sinaliza um diagnóstico indigesto para o país.
“Isso é péssimo: o mercado está basicamente dizendo que teremos Selic ao redor de 14% por muitos anos”, afirmou Volpon.
A crítica toca no coração da sustentabilidade fiscal brasileira. Com a taxa Selic mantida hoje no elevado patamar de 14,50% ao ano pelo Copom, a ausência de uma perspectiva real de queda asfixia as contas públicas. Nas palavras do economista, sem o alívio nos juros básicos, “a explosão da relação dívida/PIB via o deficit nominal é uma certeza matemática”. Em suma, o custo de carregar a dívida do país cresce mais rápido do que a capacidade da economia de se expandir.
O mau humor do mercado ganha tração em um momento de forte pressão no câmbio. O dólar opera em ritmo de alta, batendo a casa dos R$ 5,15, impulsionado por dados de emprego fortes nos Estados Unidos que sugerem juros americanos altos por mais tempo, além de ruídos comerciais e geopolíticos no exterior.
Esse combo de dólar estressado e inflação projetada acima de 5% no Boletim Focus engessa a atuação do Banco Central. Enquanto o mercado estima que a Selic termine o ano na casa dos 13,25%, grandes instituições já calibram previsões mais duras (com o Itaú projetando 13,75%), consolidando o cenário de juros restritivos por um período prolongado. Se a matemática de Volpon estiver certa, o teto fiscal continuará sob teste severo.







