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O ‘apagão’ da ureia

Dados mostram que importações do Irã zeraram e adubo ficou 18% mais caro

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jun 2026, 09h00 | Atualizado em 9 jun 2026, 09h28
O ‘apagão’ da ureia Priorizar nos meus resultados Google

As tensões geopolíticas no Oriente Médio e o nó logístico no Estreito de Ormuz cobraram uma fatura rápida e pesada na balança comercial do agronegócio brasileiro neste primeiro semestre de 2026.

Dados oficiais de importação consolidados até o mês de maio revelam o tamanho do “apagão” da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais vitais para a produtividade do campo. Após o choque geopolítico envolvendo o Irã — player estratégico no fornecimento global —, as compras brasileiras vindas do país persa simplesmente zeraram. O Irã, que chegou a registrar US$ 21,57 milhões em exportações de ureia para o Brasil em janeiro, sumiu completamente das estatísticas aduaneiras nos meses seguintes, sem registrar um único dólar em vendas entre fevereiro e maio.

A ureia é o fertilizante nitrogenado mais vital para o agronegócio brasileiro, essencial para garantir a alta produtividade de culturas estratégicas como o milho, a cana-de-açúcar e o café. Por impulsionar diretamente o crescimento e o rendimento das lavouras, qualquer ameaça ao seu abastecimento internacional encarece os custos de produção e põe em risco a competitividade do campo.

O motivo desse sumiço foi uma retração violenta em cadeia, ditada pela disparada dos preços. De acordo com dados da Secex, o preço médio por tonelada das importações brasileiras de adubos e fertilizantes químicos saltou de US$ 336,43 em maio do ano passado para US$ 397,04 em maio de 2026 — uma alta de 18% em dólares.

Assustados com o encarecimento do produto e com os fretes marítimos proibitivos devido ao custo dos seguros na região do Golfo Pérsico, os importadores brasileiros decidiram esperar. O valor total das importações de ureia, que bateu US$ 199,3 milhões em março, derreteu para US$ 66,49 milhões em maio. Até a Nigéria, principal porto seguro alternativo do país, viu suas vendas para o mercado nacional despencarem de US$ 82,8 milhões em abril para apenas US$ 4,6 milhões em maio. Resta saber se o compasso de espera do produtor vai acabar antes que o calendário de adubação da nova safra comece a apertar de vez.

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