O clube que transformou vento em ativo no Ceará
Após sucesso Carnaúba Wind House, no Preá, grupo prepara hotel de alto padrão e até loteamento popular na região
O vento virou tese de valorização imobiliária no litoral cearense.
O Carnaúba Wind House, clube de luxo do grupo Carnaúba no Preá, chega ao segundo ano de operação com um número que ajuda a explicar por que o mercado de segunda residência segue olhando para destinos menos óbvios: os títulos patrimoniais já acumulam valorização de 152% no mercado secundário.
A conta é puxada pela combinação entre kitesurf, exclusividade e acesso. O clube fica em uma das praias mais conhecidas do país entre praticantes do esporte e a cerca de 20 minutos do aeroporto de Jericoacoara, ativo que virou peça central da expansão imobiliária da região.
Ao todo, o projeto já vendeu 400 títulos nas categorias Praia, Mar e Vento. A categoria Praia, porta de entrada do clube, teve 100% dos títulos comercializados no mês passado. O tíquete gira em torno de R$ 300 mil, além de mensalidade de R$ 690. Em troca, o sócio recebe créditos anuais para uso em diárias nos bangalôs de alto padrão e acesso à estrutura do clube, que inclui kite club, spa, restaurante, bar e espaço kids.
O modelo tenta capturar uma demanda específica: o consumidor que quer frequentar o Preá com conforto, mas sem comprar uma casa, pagar condomínio cheio ou administrar manutenção. “É como ter várias casas no Preá, sem precisar cuidar de nenhuma. É só reservar e chegar”, diz Eduardo Juaçaba, sócio e diretor de relações governamentais do grupo Carnaúba.
A lógica também cria uma camada financeira. Os créditos podem ser usados ou vendidos pelos sócios. O próprio título patrimonial pode ser negociado, o que explica a leitura do ativo como uma espécie de “quase-imobiliário” em um mercado ainda pequeno, mas aquecido.
O Carnaúba já atua na região com o Condomínio Vila Carnaúba, que tem 185 lotes de alto padrão, dos quais 85% foram vendidos. Agora, o grupo prepara novas casas, um hotel de alto padrão e, em outra frente, um lote de 290 unidades do Minha Casa Minha Vida.
A aposta, no fundo, é que o Preá deixe de ser apenas destino de temporada de kitesurf e se consolide como uma nova fronteira de luxo no Nordeste. O risco, como em toda tese de valorização acelerada em praia emergente, é o mercado confundir escassez com liquidez. Por ora, os títulos do clube indicam que há comprador disposto a pagar pela promessa.







