Esta coluna e o programa Mercado são calcados em dados, pesquisas e percepções econômicas. Hoje, porém, abro espaço para juntar o DNA do que produzimos aqui para discutir um assunto que ainda parece inacreditável: a violência contra a mulher. Para colocar todos na mesma página, vale começar pelos números. No Brasil, 18,6 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência em apenas um ano, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em outras palavras, 1 em cada 4 brasileiras relata ter sido vítima de agressão física, psicológica ou sexual.
O impacto desse fenômeno não fica restrito ao drama social — ele aparece com força na economia. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e do Instituto Maria da Penha estimam que a violência doméstica provoque prejuízos próximos de R$ 50 bilhões por ano no Brasil. Esse dinheiro evapora em gastos com saúde, segurança pública e Justiça, além de perdas de produtividade no mercado de trabalho, afastamentos e redução de renda das vítimas.
No mundo, a conta é ainda mais impressionante. Estimativas da ONU Mulheres indicam que a violência contra mulheres e meninas custa cerca de US$ 1,5 trilhão por ano, algo próximo de 2% do PIB global. É um lembrete brutal de que a barbárie também destrói riqueza — e de que enfrentar esse problema não é apenas uma questão moral ou social, mas também econômica.





