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O custo da discriminação

Quanto o Brasil perde por ano com a discriminação no ambiente de trabalho

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 10h09
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A exclusão de pessoas LGBTQIAPN+ do mercado de trabalho custa R$ 94,4 bilhões por ano ao Brasil, segundo estudo inédito do Banco Mundial apresentado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O valor equivale a cerca de 0,8% do PIB brasileiro e transforma em número uma discussão que costuma ficar restrita ao campo social: a discriminação no ambiente de trabalho também reduz produtividade, renda, arrecadação e competitividade.

De acordo com o levantamento, feito em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e outras organizações, o maior impacto vem do excesso de desemprego, que gera perda estimada de R$ 44,8 bilhões por ano. A inatividade responde por R$ 24,1 bilhões, a diferença salarial por R$ 20,7 bilhões e a informalidade por R$ 4,8 bilhões.

A conta também pesa no caixa público. O estudo estima um impacto fiscal anual de R$ 14,6 bilhões, dos quais R$ 10,6 bilhões decorrem de perda de arrecadação tributária.

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Os indicadores ajudam a explicar o tamanho do problema. A taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIAPN+ é de 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, de 7,7%. A informalidade chega a 46%, ante 40% da população em geral. Já a taxa de inatividade alcança 37,4%, contra 33,4% da média nacional.

Para Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho do Insper e sócio do Calcini Advogados, o estudo muda o patamar do debate dentro das empresas.

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“O estudo evidencia que a exclusão de pessoas LGBTQIAPN+ do mercado de trabalho não produz apenas consequências sociais ou individuais. Ela impõe um custo expressivo para toda a economia brasileira, reduz a produtividade, limita a inovação e compromete a competitividade das empresas. Promover ambientes inclusivos deixou de ser apenas uma questão de responsabilidade social para se tornar também uma estratégia de desenvolvimento econômico”, afirma.

O levantamento mostra ainda que pessoas trans, não binárias e intersexo enfrentam os maiores níveis de discriminação e as maiores barreiras de acesso e permanência no mercado de trabalho, com efeitos mais severos sobre renda e empregabilidade.

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