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Preços de combustíveis sob pressão na ANP

Agência avança em regra sobre combustíveis, mas setor vê risco de intervenção em margens

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jun 2026, 11h54 | Atualizado em 17 jun 2026, 12h15
Preços de combustíveis sob pressão na ANP Priorizar nos meus resultados Google

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) avança na construção de uma regra para caracterizar aumentos abusivos de combustíveis, mas a iniciativa segue cercada de resistência no setor. A controvérsia ganhou força após a derrubada da liminar que havia suspendido a audiência pública sobre o tema e reacendeu críticas sobre prazo, rito regulatório e alcance da proposta.

A consulta pública foi aberta em 8 de junho e encerrada no dia 12, intervalo considerado curto por associações de postos e distribuidoras. A primeira sessão da audiência ocorreu em 15 de junho, depois de disputa judicial, e uma nova etapa foi convocada para esta quarta-feira (17/6). Nos bastidores, agentes do mercado afirmam que o cronograma acelerado dificultou uma discussão técnica mais ampla sobre um tema com potencial impacto sobre toda a cadeia de abastecimento.

A proposta da ANP decorre de medidas editadas pelo governo federal em meio à escalada do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio. O objetivo declarado é criar parâmetros para identificar situações de elevação abusiva de preços e dar maior segurança à atuação fiscalizatória da agência.

O ponto mais sensível está no uso da margem bruta como referência. Pela minuta, aumentos acima de determinado percentual poderiam acionar a análise da ANP. A agência sustenta que o mecanismo não implica punição automática e que empresas e postos teriam oportunidade de justificar variações de custos antes de eventual autuação. Para representantes do setor, porém, a fórmula pode abrir caminho para uma intervenção indireta em margens e preços.

Durante a audiência, participantes apontaram fragilidades na modelagem proposta. Entre os pontos levantados estão a ausência de Análise de Impacto Regulatório, a definição de gatilhos percentuais sem demonstração técnica mais robusta, a dificuldade de comparar realidades regionais distintas e o risco de desconsiderar diferenças operacionais entre agentes da cadeia.

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Outro argumento que ganhou força é o de que a regulação nasce de um contexto emergencial que já dá sinais de mudança. Embora o mercado internacional de petróleo ainda opere sob volatilidade, interlocutores do setor avaliam que o quadro é menos agudo do que no momento em que o governo editou as medidas que deram origem à atuação da ANP. Também não há, até aqui, indicação pública de risco generalizado de desabastecimento.

A ANP, por sua vez, tem defendido que a norma busca dar previsibilidade à fiscalização e evitar interpretações subjetivas sobre abuso de preços. A agência já vinha realizando ações de fiscalização com base nas novas atribuições recebidas do governo e tenta consolidar critérios para orientar a atuação dos fiscais.

A disputa, portanto, não se limita à existência ou não de preços abusivos. O centro do embate está em como definir abuso sem transformar uma regra de proteção ao consumidor em mecanismo permanente de controle de margem. No setor, a expectativa é que a pressão feita na consulta e nas audiências leve a ajustes antes da consolidação da norma.

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