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Tarifaço: reunião de Brasil e EUA termina sem acordo

Governo já espera recomendação de tarifa de 25%, mas aposta que Washington preserve algum prazo para negociar antes da cobrança

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 19h46 | Atualizado em 15 jul 2026, 15h55
Tarifaço: reunião de Brasil e EUA termina sem acordo Priorizar nos meus resultados Google

A última reunião de alto nível entre Brasil e Estados Unidos antes da decisão sobre o tarifaço terminou sem acordo nesta terça-feira, 14. Segundo fontes ouvidas pelo Radar Econômico, o governo brasileiro já trabalha com a expectativa de que a aplicação da sobretaxa de 25% seja recomendada à Casa Branca. A principal dúvida agora não é mais se a punição será proposta, mas quando começará a valer.

A aposta predominante é que Washington anuncie a tarifa e estabeleça sua entrada em vigor para uma data posterior, possivelmente dentro de 30 dias. Esse intervalo manteria a pressão sobre o governo Lula, mas preservaria uma última janela para negociar concessões, exceções e até uma solução bilateral antes do início efetivo da cobrança.

A possibilidade de um prazo maior, de até 180 dias, também é admitida, mas ainda desperta dúvidas dentro do governo. Embora a legislação americana permita o adiamento, a avaliação é que uma postergação tão longa dependeria de um sinal mais concreto de avanço nas conversas — algo que não surgiu no encontro desta terça-feira.

Em nota divulgada à noite, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que a quinta reunião de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ocorreu no fim da tarde.

Participaram do encontro equipes do MDIC, do Itamaraty e da Assessoria Especial do Presidente da República. As conversas começaram em 7 de maio, quando Lula e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho para tratar das divergências comerciais entre os dois países.

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Segundo o comunicado, o governo reiterou que considera injustas tanto a recomendação de uma tarifa de 25% específica contra o Brasil quanto a sobretaxa de 12,5% relacionada ao trabalho forçado, aplicável a outras 59 economias. “Nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas”, afirmou o MDIC.

A nota também diz que a aplicação de qualquer sobretaxa “não é o caminho” para a construção de um acordo bilateral mutuamente adequado. A frase sinaliza que, apesar do fracasso da reunião, o governo pretende manter aberta a negociação depois do anúncio americano. O MDIC confirmou ainda que o prazo para a divulgação da medida e da lista de produtos sujeitos à recomendação termina nesta quarta-feira, 15.

A ausência, no comunicado, de qualquer menção a avanço, compromisso ou nova rodada reforça a percepção de que a reunião não foi suficiente para impedir a recomendação da tarifa. O que ainda está em jogo é o prazo de vigência e o tamanho da lista de exceções.

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É nessa combinação que estará o impacto real do tarifaço. Uma alíquota de 25% com cobrança adiada e uma lista ampla de produtos poupados terá efeito muito diferente de uma aplicação rápida e abrangente.

A conversa desta terça-feira, portanto, não evitou a provável punição. Serviu para deixar claro que, mesmo depois de anunciar a tarifa, Washington ainda poderá manter a porta entreaberta — desde que o Brasil encontre algo para colocar na mesa.

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