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Vereadora quer punir bolsonarista que mentiu para blindar transfóbico

Iniciativa ocorre após Nascimento ter apresentado um parecer defendendo o arquivamento de um processo contra Pavanato citando processos inexistentes

Por Marcelo Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jun 2025, 08h01
Vereadora quer punir bolsonarista que mentiu para blindar transfóbico Priorizar nos meus resultados Google

A vereadora Amanda Paschoal acionou a Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo com uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o vereador Gilberto Nascimento.

A iniciativa ocorreu após o parlamentar bolsonarista ter apresentado um parecer defendendo o arquivamento de um processo contra o vereador Lucas Pavanato citando referências de jurisprudência inexistentes.

Pavanato é alvo de representação por ter cometido transfobia contra Amanda. Em fevereiro, ele afirmou que a parlamentar seria “biologicamente homem”.

Em seu relatório, Nascimento lista três processos inexistentes para defender o arquivamento da ação contra o colega de partido.

Diante desse cenário, a Corregedoria adiou a reunião em que seria decidido se o processo de cassação de Pavanato seria aberto.

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Em reação, Amanda decidiu recorrer ao mesmo órgão da Casa solicitando uma punição para Nascimento.

“O representado [Gilberto Nascimento] apresentou parecer opinando pela inadmissibilidade da representação, sob a justificativa de ausência de justa causa e amparo da conduta denunciada nas garantias constitucionais da liberdade de expressão. Para fundamentar sua posição, o vereador Gilberto Nascimento citou expressamente três decisões judiciais supostamente favoráveis à tese da não configuração de transfobia, as quais estariam publicadas nos sistemas do Tribunal de Justiça de São Paulo, Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Superior Tribunal de Justiça. Constatou-se que todos os julgados mencionados pelo relator são inverídicos, não constam nos repositórios oficiais dos tribunais indicados e tampouco guardam qualquer relação com decisões judiciais referentes a crimes de transfobia”, explicou Amanda em representação obtida com exclusividade pelo Radar.

Além disso, a vereadora argumenta que a inserção de informações “sabidamente falsas” em documento oficial, com a intenção de fundamentar decisão legislativa de relevante impacto institucional, compromete a credibilidade da Corregedoria, viola o princípio da moralidade administrativa e macula a integridade do processo legislativo.

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“Trata-se de instrumentalização fraudulenta da função parlamentar, mediante falsidade
ideológica, configurando uma clara quebra de decoro, além de possível responsabilidade penal”, pontua a psolista.

Paralelamente, Amanda avalia acionar Nascimento judicialmente sob a acusação de falsidade documental.

“Independente de qual seja a percepção de quem faz parte da Corregedoria, o fato de ele não querer nem admitir o processo demonstra um interesse para evitar que Pavanato tenha qualquer tipo de sanção a partir dessa violência que ele cometeu contra mim”, destacou Amanda ao Radar.

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“Realmente é inadmissível, é inaceitável. É muito absurdo. Eles estão se sentindo muito acima da lei. Não tem como essas pessoas passarem impunes e acharem que podem fazer tudo que é falcatrua”, completou.

Em seu relatório, Nascimento alegou que a Constituição confere aos parlamentares direito à liberdade de expressão e à imunidade parlamentar. Além disso, argumenta que Pavanato não teve a intenção de discriminar, mas só de promover um debate factual.

Depois que a Corregedoria adiou a decisão sobre a abertura do processo de Pavanato, Nascimento admitiu que foi identificado um erro formal em seu parecer e disse não ter compromisso com a falha. “Assim que tomei conhecimento das inconsistências do relatório que foi produzido pelo meu gabinete, já solicitei a sua retirada antes mesmo da reunião. Prezo pelo diálogo e respeito aos meus pares, independentemente de qualquer coloração ideológica. Por isso, não vou admitir que se diga que foi um ato de má-fé. Erros acontecem, ninguém é infalível.”

Ele prometeu que apresentar um novo relatório nas próximas semanas.

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