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Política com Ciência

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A partir do que há de mais novo na Ciência Política, este blog do professor e pesquisador da FGV-RJ analisa as principais notícias da política brasileira. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Bolsonaros não podem chorar por Boechat

A família que é contra o jornalismo não pode lamentar a morte de um jornalista

Por Sérgio Praça 11 fev 2019, 19h29
Bolsonaros não podem chorar por Boechat Priorizar nos meus resultados Google

Acompanhei pouco a carreira de Ricardo Boechat. Fui ao seu programa de rádio duas ou três vezes, em época de eleição ou de mudanças tectônicas (por exemplo, a condenação de Lula em segunda instância). Sempre simpático com os convidados e mordaz, irônico, contundente com políticos de qualquer laia. Com elegância, destruía posições hipócritas que são da natureza da política.

Por isso estranhei as mensagens de Jair Bolsonaro (PSL) e Carlos Bolsonaro (PSL) no Twitter logo após a morte de Boechat ser confirmada. Jair escreveu: “É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, que estava no helicóptero que caiu hoje em SP. Minha solidariedade à família do profissional e colega que (sic) sempre tive muito respeito, bem como do piloto. Que Deus console a todos!”.

E Carlos: “Boechat era um grande profissional, referência no jornalismo, capaz de conquistar o respeito tanto dos que convergiam quanto dos que divergiam de suas ideias e opiniões. Que seja sempre lembrado por isso”.

Ué.

É a primeira vez que vejo Bolsonaros falando de jornalismo sem se dizerem vítimas de “fake news” ou inventando delírios acusatórios. Segue apenas um de centenas de exemplos, um clássico Carlos Bolsonaro de dois dias atrás (a pontuação é toda dele): “Depois que uma emissora de tv e seus portais torceram em vão e descaradamente para (sic) morte do Presidente, desinformando a população, não vemos seu afinco nos importantes atos que Bolsonaro tem anunciado desde então; como desburocratização, economia, e um General no comando do Incra”.

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Quem compreende o mundo sob lentes conspiratórias é incapaz de entender – muito menos apreciar – a complexidade de ser imparcial como Boechat.

Bolsonaros homenageiam torturadores e milicianos, não jornalistas. Fiscalizar, cobrar e vigiar representantes políticos é algo que não entra na cabeça de políticos simplórios. O apreço público desta família a Boechat é, diante disso, hipócrita ao extremo.

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