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Canetas emagrecedoras alteram cardápios e desafiam chefs

Coluna GENTE conversou com nomes do mercado que já notam a mudança no apetite dos clientes

Por Giovanna Fraguito 5 abr 2026, 09h00 | Atualizado em 14 abr 2026, 11h21

Nos últimos anos, a relação das pessoas com a comida vem passando por uma transformação silneciosa e profunda. O avanço de medicamentos para emagrecimento, como o Ozempic e o Mounjaro, acelerou um movimento por refeições menores, maior atenção à qualidade nutricional e consumo consciente. Esse novo comportamento também trouxe desafios. Marcas tradicionais do setor alimentício precisaram rever seus formatos, porções e propostas, acompanhando a mudança que vai além da estética e reflete um novo modo de viver, comer e se relacionar com o próprio corpo. A coluna GENTE conversou com alguns chefs e donos de restaurantes que já notam a redução do apetite dos clientes.

Adriana Carpegiani, da Congelados da Sônia (@congeladosdasonia), admite que  o comportamento alimentar mudou muito nos últimos anos. “Hoje, vemos pessoas que comem menos volume, mas precisam comer melhor. Com o uso das canetas emagrecedoras, a alimentação deixa de ser apenas quantidade e passa a ser estratégia”, diz ela, que precisou criar uma linha específica pensando nesse novo cenário, com refeições equilibradas, ricas em proteína e nutrientes essenciais. “Tudo para apoiar quem está em processo de emagrecimento sem abrir mão da saúde e do prazer à mesa”, afirma. Já a chef Andréa Tinoco do Pato com Laranja (@patocomlaranja), aponta que muitos clientes seguem buscando uma experiência gastronômica especial, mas hoje valorizam mais leveza, equilíbrio e porções mais adequadas. “Isso nos leva a pensar menus com mais frescor, técnica e sofisticação, sem excessos. A boa gastronomia continua tendo muito espaço, mas cada vez mais ligada à qualidade da experiência do que ao volume”, diz.

Valdeci Castro, gerente do Rancho Português São Paulo (@ranchoportuguessp), tem como carro-chefe pratos feitos para compartilhar. Mas de um tempo para cá, observa que as receitas estão sendo divididas por mais pessoas. “O cenário atual é este, as pessoas tem comido menos e estão com menos apetite. Mas esse comportamento tem seu lado positivo, nossos clientes têm degustando mais opções de entradas, pratos e sobremesas para compartilhar no centro mesa. Outro fator é que o menu executivo, com opções reduzidas para uma pessoa, tem chamado mais atenção dos clientes do que porções maiores para compartilhar”, aponta ele sobre essa nova tendência à mesa. O chef Ignácio Peixoto, que assumiu recentemente a cozinha do contemporâneo Itsáry (@itsary.rio), no Centro do Rio de Janeiro, já trabalha com essa mudança. “O menu menu já nasce para esse público inclusive, pois criei várias entradas leves, e a composição do cardápio é exatamente pensada para uma experiência compartilhada e mais leve”.

Assim também são as novidades do Baduk (@badukrio), no Leblon, dos sócios Daniela Branco, Erik Nako, Cristiano Lanna e Andre Korenblum. Na Ala dos sanduíches, o de Pastrami (54 reais/76 reais o duplo), foi adaptado, podendo ser pedido no tamanho pequeno de 100g, e no grande tem 200g. Ele é curado por 7 dias, defumado e assado em baixa temperatura e servido com mostarda e cebolas caramelizadas. Tudo para agradar a paladares cada vez mais fracionados e de olho na balança.

Ignácio Peixoto do Itsáry
Ignácio Peixoto do Itsáry (Reprodução/Divulgação)
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