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Dalal Achcar: a dama do balé que transformou resistência em arte

Coreógrafa celebra cinco anos da criação da Cia Ballet e meio século dedicado à dança

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 abr 2026, 10h00

Em um país onde a dança clássica ainda luta por espaço e investimento, a celebração dos cinco anos da Cia Ballet Dalal Achcar chega como um gesto de resistência e insistência no sonho. A companhia, criada por Dalal Achcar, 88 anos, marca a data com uma temporada especial no Teatro Riachuelo, no Rio, entre os dias 10 e 12 de abril, reafirmando o compromisso de manter viva uma arte que, como ela mesma define, “exige juventude”.

Filha de libaneses, Dalal nasceu no Rio, em 1937, iniciou seus estudos aos 15 anos e se tornou uma das figuras mais influentes na dança nacional. No Theatro Municipal do Rio, foi diretora de balé por 30 anos. Como coreógrafa, ficou famosa por criações como Floresta Amazônica, Don Quixote e O Quebra-Nozes, considerado um dos melhores do mundo. O destino, segundo a mestre de balé, já estava traçado. “No primeiro dia em que fiz uma aula com um professor profissional de ballet clássico, aquilo que já trazia no coração se tornou uma certeza”, conta à coluna GENTE.

Ao longo da vida, Dalal circulou entre alguns dos maiores nomes da cultura brasileira, como Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Manuel Bandeira e Roberto Burle Marx. Dessas trocas, guarda um ensinamento essencial: “Eles me ensinaram sobretudo a descobrir a generosidade da maioria dos grandes artistas. Todos contribuindo para valorizar as artes de sua época no seu país”.

A arte, aliás, aparece em sua fala sempre como força vital e política. Amiga de Eunice Paiva, Dalal foi retratada em Ainda Estou Aqui (2024) pela atriz Camila Márdila. À coluna, a coreógrafa não esconde o impacto da produção de Walter Salles — vencedora do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 — tanto na sua história como na do país. “Aquela época me mostrou que a arte é a maior e mais sublime força de resistência em suas múltiplas manifestações. O filme foi essencial para que as novas gerações entendessem este período sombrio mas também de resistência e resiliência”, lembrou.

Se o passado moldou sua visão, o presente traz novos desafios. A dama do balé observa com atenção como a arte em geral vem sendo impactada pela velocidade do mundo contemporâneo. “Vivemos a era em que a tecnologia pensa por nós e nos entrega a proposta pronta de forma espetacular. Uma geração que se serve da tecnologia como ar que respira”, avalia.

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Ainda assim, ela segue criando e sonhando em uma temporada especial da Cia Ballet Dalal Achcar que reúne nove coreografias diferentes e clássicos assinados por grandes nomes, como Eric Frédéric, Vassili Sulich e Ivonice Satie. Parar, garante, passa longe dos planos: “Eu tricoto mal”.

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