Kyra Gracie expõe machismo e assédio no jiu-jitsu: ‘Natural’
Pentacampeã mundial da modalidade conversou com a coluna GENTE
Oriunda da família mais importante da história do jiu-jitsu, Kyra Gracie, 41 anos, transformou os tatames em carreira e propósito. Pentacampeã mundial da modalidade, ela passou a enxergar o esporte para além da competição e, à frente da Gracie Kore, academia fundada ao lado do marido, Malvino Salvador, 50, usa a luta como ferramenta de desenvolvimento pessoal, autoconfiança e defesa para mulheres.
Para Kyra, a defesa pessoal não se resume à capacidade física de reagir a uma agressão, mas envolve principalmente reconhecer riscos, antecipar conflitos e desenvolver segurança para se posicionar. “O homem que agride uma mulher geralmente quer levar a situação para o chão. Quando uma mulher sabe se movimentar no chão, ela deixa de enxergar aquilo como um lugar de vulnerabilidade”, explica à coluna GENTE.
A trajetória dentro do jiu-jitsu também fez Kyra revisitar o ambiente em que cresceu. Ela relembra que viveu em uma realidade marcada pelo machismo, em que mulheres eram colocadas em segundo plano e incentivadas a ocupar posições de coadjuvantes. “Achava aquilo natural. Pensava: ‘Sou mulher, então tenho que ganhar menos’, ‘não posso ter a mesma visibilidade’, ‘não estou ali porque sou mulher’”, recorda.
Com o tempo, passou a questionar esses padrões e percebeu como eles influenciavam a própria forma de agir: “Como posso ser campeã de jiu-jitsu e estar travada, sem conseguir falar, sem conseguir me posicionar?”.
Na conversa com a coluna, Kyra também relembra situações de assédio que presenciou no início da carreira. Em uma época em que era uma das poucas mulheres nos tatames, ela afirma que o ambiente muitas vezes era pouco acolhedor para atletas femininas. “Era praticamente uma das únicas meninas dentro do tatame. Existiam conversas inapropriadas, situações de falta de respeito e era comum professor dar em cima de alunas”.
Hoje, a ex-atleta observa um novo cenário em construção, com maior profissionalização das academias e crescimento da presença feminina no esporte: mulheres em cargos de liderança nas academias, comandando aulas inclusive com homens e reconhecidas como profissionais dentro do tatame. “As mulheres também estão percebendo o potencial do jiu-jitsu como defesa pessoal”, conclui.
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