Oferta hexa: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Vitrine

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Das passarelas às ruas, a moda em movimento

Conseguirá Demna colocar a Gucci novamente no topo?

Primeiro desfile do estilista em Milão divide opiniões, resgata o fetiche dos anos 1990 e coloca a pergunta no ar: ele vai salvar a marca?

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 mar 2026, 14h10 | Atualizado em 6 mar 2026, 14h57
Conseguirá Demna colocar a Gucci novamente no topo? Priorizar nos meus resultados Google

Há um corredor quase totalmente escuro na sede da Gucci, nos arredores de Milão, na Itália, que leva até o escritório de Demna. Paredes pretas, chão preto, teto preto, tudo preto até um túnel que termina em luz quando a porta se abre. O próprio estilista brinca com a metáfora: é um “reset”. A imagem parece feita sob medida para o momento da marca e para o enorme desafio que ele aceitou.

Quando Demna foi anunciado como diretor criativo da Gucci, no ano passado, o choque foi imediato. O designer que transformou a Balenciaga em um fenômeno cultural, com desfiles apocalípticos e streetwear conceitual, agora teria nas mãos a maison italiana mais importante do grupo Kering. Não é pouca coisa: a Gucci responde por cerca de 40% da receita do conglomerado e emprega mais de 17 mil pessoas. E vinha de uma queda abrupta.

Entre 2022 e 2025, o faturamento despencou de cerca de 10,5 bilhões para 6 bilhões de euros — resultado de uma tentativa frustrada de virar a página após a saída de Alessandro Michele e apostar no “quiet luxury” de Sabato De Sarno. Demna foi, nas palavras do mercado, um verdadeiro “Hail Mary”: a jogada de desespero para salvar a galinha dos ovos de ouro da Kering.

Seu primeiro grande teste veio agora, em Milão. E, como esperado, dividiu opiniões. O desfile tinha ares de museu clássico — com esculturas de mármore falso lembrando deuses romanos —, mas o clima era outro: um retorno explícito ao fetiche sexy que marcou a era Tom Ford nos anos 1990. Não por acaso, quem fechou o desfile foi Kate Moss, aos 52 anos, em um vestido preto de paetês aberto nas costas que revelava uma calcinha fio dental com o duplo G em diamantes — referência direta ao lendário logo thong lançado por Ford em 1997.

A coleção mergulhou nesse imaginário de sensualidade exagerada: vestidos colados como meias, camisetas encolhidas abraçando o corpo, jeans quase como leggings e saias lápis tão justas que pareciam pintadas. Nos pés, saltos-agulha perigosos. Nos materiais, brilho, couro metálico e malhas de cristal. Era Gucci em modo bodycon, sem qualquer sutileza.

Continua após a publicidade

A estratégia parecia clara: recuperar o desejo que fez a marca explodir nos anos 1990. Mas, segundo parte da crítica internacional, algo ainda não encaixou. O “The New York Times” apontou que, apesar da atitude e das referências certas, faltou justamente o elemento que tornava o Gucci de Tom Ford irresistível: aquela sensação hedonista e libertária que fazia a moda parecer divertida e perigosa ao mesmo tempo. O resultado, para alguns, soou mais calculado do que espontâneo. Mas é fato que, mesmo já acontecendo a semana de Paris, só se fala na Gucci.

Ainda assim, havia boas ideias. As bolsas — coração comercial da marca — surgiram fortes, com releituras da Jackie 1961 e da Bamboo 1947. O desfile também costurou referências às várias eras recentes da casa: da estampa Flora dos tempos de Frida Giannini ao maximalismo de Alessandro Michele. Era quase um inventário da memória Gucci.

O próprio Demna parece estar em uma fase de reinvenção pessoal. Depois de uma década criando moda sombria e provocadora, ele fala agora em diversão, leveza e até bem-estar — fruto de anos de terapia, mudanças de vida e um ritmo mais saudável. Quer construir o que chama de “Gucci Core”, um guarda-roupa essencial da marca, ao lado das coleções de passarela.

Continua após a publicidade

Mas a pergunta é inevitável: será que ele consegue repetir o milagre que Tom Ford fez em 1995, quando transformou uma Gucci decadente na marca mais desejada da década? Por enquanto, o primeiro capítulo dessa nova fase deixa clara uma coisa: Demna não pretende ser discreto. E talvez seja exatamente isso que a Gucci precise. Ou não.

Kate Moss desfila para a Gucci na semana de moda de Milão
Kate Moss desfila para a Gucci na semana de moda de Milão (Daniele Venturelli/Getty Images for Gucci/Getty Images)

 

Gucci outono/inverno 2026
Gucci outono/inverno 2026 (Daniele Venturelli/Getty Images for Gucci/Getty Images)
Continua após a publicidade

 

Gucci outono/inverno 2026
Gucci outono/inverno 2026 (Daniele Venturelli/Getty Images for Gucci/Getty Images)

 

Gucci outono/inverno 2026
Gucci outono/inverno 2026 (Daniele Venturelli/Getty Images for Gucci/Getty Images)
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).