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Das passarelas às ruas, a moda em movimento

Em Cannes, a criatividade sobe para o colo e lança nova tendência

Lenços, plumas, estruturas rígidas e golas arquitetônicas transformam o busto no novo ponto de impacto do tapete vermelho da Riviera Francesa

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 Maio 2026, 20h00

Nada de decotes profundos, tomara que caia óbvios ou recortes previsíveis. Em Cannes, o colo deixou de ser apenas pele à mostra para virar cenário de moda. E alguns vestidos, dos mais comentados do festival têm algo em comum: transformam o próprio decote em elemento cenográfico, quase escultórico, seja por meio de lenços estratégicos, estruturas rígidas, volumes ou aplicações dramáticas.

A tendência começou a ganhar força no último MET Gala, quando Hailey Bieber, em Saint Laurent, apostou em um styling em que o destaque estava justamente no pescoço, com tecido azul moldando o colo de forma sofisticada e nada óbvia. Pouco antes, Chase Sui Wonders apareceu de Alexander McQueen com um lenço em fita amarrado ao redor do pescoço, criando um efeito couture e transformando o acessório no próprio decote.

Agora, no Festival de Cannes, a ideia surgiu em versões ainda mais teatrais. O lenço voltou a aparecer no look Givenchy de Diane Kurger, mas de uma forma ainda mais dramática. Já Sandra Hüller apareceu de Chanel com plumas que criavam uma moldura interessante na região do pescoço.

Demi Moore (sempre ela) apostou em um impactante vestido vermelho de Gucci com gola escultural e estrutura rígida envolvendo o colo de forma arquitetônica, quase como uma peça de arte vestível.  E Hande Erçel reforçou a tendência arquitetônica do decote em um modelo da Sophie Couture em que o trabalho estrutural do busto criava volume e imponência sem recorrer a transparências ou recortes exagerados.

A sensação é de que o tapete vermelho encontrou uma nova forma de chamar atenção. Talvez isso tenha ligação direta com o endurecimento do código de vestimenta de Cannes, que vem restringindo nudez, vestidos ultratransparentes e caudas volumosas. Assim, se o “efeito choque” já não pode vir tanto da ausência ou do excesso de tecido, aparece na construção: o volume sobe, o pescoço ganha protagonismo e o decote vira arquitetura ou drama na medida certa. E Cannes mostra que a moda continua encontrando maneiras de seduzir — só mudou o ponto de partida. Agora, em vez de mergulhar para baixo, os vestidos olham para cima.

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Veja os looks: 

Demi Moore veste Gucci
Demi Moore veste Gucci (Kristy Sparow/Getty Images)

 

Diane Kruger veste Givenchy
Diane Kruger veste Givenchy (Lionel Hahn/Getty Images)

 

Hande Erçel veste Sophie Culture
Hande Erçel veste Sophie Culture (Amy Sussman/Getty Images)
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Sandra Hüller veste Chanel
Sandra Hüller veste Chanel (Kate Green/Getty Images)
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