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Das passarelas às ruas, a moda em movimento

Ladies in red: afinal, por que o vermelho é a cor do Natal?

Entre tendências que vão e vem, é ele quem assume o centro na noite mais simbólica do ano - quente, intenso e impossível de ignorar

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 dez 2025, 14h00
Ladies in red: afinal, por que o vermelho é a cor do Natal? Priorizar nos meus resultados Google

Kate Middleton nem precisou sair do carro para dar o tom. Bastou o flash de um vestido vermelho para que o clima de Natal estivesse oficialmente instaurado. Do outro lado do Atlântico, Emily Ratajkowski posou ao lado da árvore natalina envolta no mesmo matiz — imagem pronta para abrir o álbum das festas. Rihanna também atravessa as ruas de vermelho, como quem não negocia a atenção.

E, nos tapetes vermelhos que antecedem as celebrações, as estrelas já sinalizam o que está por vir: Jenna Ortega, em Lanvin no Festival Internacional de Cinema de Marrakech, puxa o coro. O recado é claro: entra ano, sai ano, surgem as apostas para o réveillon, para as férias, para o verão inteiro — mas quando chega o Natal, é o vermelho que toma a frente.

Não é apenas a cor do Papai Noel ou das bolas penduradas na árvore. O vermelho encanta porque é ancestral. Porque fala direto com o corpo antes de convencer a razão. É quente, vibrante, rouba a cena sem pedir licença. Carrega paixão, claro, mas também poder, empoderamento, drama e desejo de centralidade. É a cor que não se dilui no fundo da sala, só avança.

Historicamente, o vermelho sempre ocupou o centro do quadro. No Renascimento, foi usado para destacar figuras sagradas — o manto de Cristo, as vestes da Virgem Maria — como sinal de importância máxima. Séculos depois, Vincent van Gogh escreveu ao irmão Theo que usou o vermelho em “O Café à Noite” para traduzir “as terríveis paixões humanas”. Henri Matisse, rendido ao carmim, falou de um vermelho capaz de “afetar a pressão arterial”. Tarsila do Amaral se autorretratou vestida de vermelho, como quem assina a própria força. A arte nunca teve dúvida: quem quer mobilizar emoções, veste vermelho.

Na moda, virou assinatura. Valentino Garavani eternizou o tom ao criar, em 1959, o Red Valentino — um vermelho luminoso, inspirado na energia dramática da ópera “Carmen”, de Georges Bizet. Foi com essa vibração que vestiu Jacqueline Kennedy Onassis, Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Gisele Bündchen. “É a última cura para a tristeza”, disse o estilista. No cinema, o vermelho também muda destinos: contra a vontade do estúdio, a figurinista Marilyn Vance insistiu no vestido escarlate de Julia Roberts em “Uma Linda Mulher”. O resultado foi um dos looks mais icônicos da história — prova de que, às vezes, a cor certa reescreve o roteiro.

Talvez o fascínio esteja justamente nessa ambiguidade. O vermelho é o amor e o perigo, o sangue e o coração que bate. Na China, simboliza sorte e prosperidade; em partes da África, luto; em Amsterdã, desejo. No Natal, quando tudo é encontro, emoção à flor da pele e memória compartilhada, não poderia haver escolha mais coerente.

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Não por acaso, ele reina também agora. Kate Middleton de Alessandra Rich, Anne Hathaway de Valentino, Emily Blunt de Schiaparelli, Amanda Seyfried de Monse, Anitta de H&M x Stella McCartney, Mariana Ximenes de Lethicia Bronstein — o vermelho aparece como idioma comum entre estilos, gerações e ocasiões. É democrático e absoluto ao mesmo tempo.

Como usar

No Natal, vale tudo — desde que com intenção. Um vestido vermelho sozinho já resolve a noite. Alfaiataria escarlate funciona para quem prefere impacto com rigor. Para as mais discretas, acessórios — sapatos, bolsa, batom — cumprem o papel de acento dramático. Tecidos fazem diferença: veludo e cetim amplificam o clima festivo; crepe e lã trazem sofisticação urbana. O truque é simples: deixe o vermelho falar e reduza o resto ao silêncio.

Porque no fim, o vermelho no Natal não precisa de explicação longa, apenas presença. Ele aquece, provoca, emociona. E, assim como as grandes pinturas, atravessa o tempo sem perder o impacto. Todo ano, quando as luzes se acendem e a mesa se arruma, lá está ele outra vez, lembrando que algumas escolhas não são tendência. São clássicos.

Veja os looks: 

Jenna Ortega veste Lanvin
Jenna Ortega veste Lanvin (Stephane Cardinale - Corbis/Corbis/Getty Images)
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Amanda Seyfried veste Monse
Amanda Seyfried veste Monse (Axelle/Bauer-Griffin/FilmMagic/Getty Images)

 

Anne Hathaway veste Valentino
Anne Hathaway veste Valentino (Theo Wargo/Getty Images)

 

Emily Blunt veste Schiaparelli
Emily Blunt veste Schiaparelli (Gilbert Flores/Variety/Getty Images)

 

Anitta veste H&M x Stella McCartney
Anitta veste H&M x Stella McCartney (Samir Hussein/WireImage/Getty Images)
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Mariana Ximenes veste Lethicia Bronstein
Mariana Ximenes veste Lethicia Bronstein (Instagram @marianaximenes/Reprodução)

 

Kate Middleton veste Alessandra Rich
Kate Middleton veste Alessandra Rich (Getty Images/Getty Images)

 

Rihanna em Los Angeles
Rihanna em Los Angeles (DUTCH/Bauer-Griffin/GC Images/Getty Images)
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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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