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Walcyr Carrasco

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O autoritarismo sempre volta

De aliens a povo divino, a crença no ser superior é um perigo

Por Walcyr Carrasco Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 abr 2026, 08h00
  • Os alienígenas vivem entre nós. Um amigo afirma com certeza que nosso primata ancestral recebeu os genes de povos das estrelas para se transformar no ser humano, e trabalhar como escravo escavando minérios. Em algum momento, os criadores desse ser inteligente ordenaram um dilúvio, para se livrar de uma espécie que provavelmente, desde aqueles tempos, já não era tão certinha. Fomos salvos por parte dos alienígenas que discordavam dessa solução. Mas, é claro, os ETs não nos abandonaram completamente. Pode ser até seu vizinho, trabalhando em segredo pelo aprimoramento da espécie.

    Existe ainda um autor russo, P.D. Ouspensky, um pouco esquecido, segundo o qual não somos a única espécie inteligente sobre a Terra. Abelhas e formigas já estão bem à frente: elas construíram sociedades tão perfeitas que, vejam bem, as operárias nascem operárias; as rainhas, já rainhas; e não há lugar para artistas — povo atrapalhado que quer inventar novidades.

    Há ainda quem diga por aí que existe uma sociedade secreta monitorando a nossa evolução: de vez em quando solta uma invenção que altera tudo para melhor. Assim surgiram carros e aviões, por exemplo. Sim, há livros e livros sobre o tema. Mais ainda, gente que acredita. Por que nos satisfaríamos com nossa limitada humanidade se em algum lugar há uma creche de Leonardos da Vinci? A visão mística e esotérica, tão popularizada, deixa pouco espaço para as pessoas comuns. São os Escolhidos que dominarão a Terra.

    “Acho incrível como o fascismo se disfarça de tantas maneiras e é capaz de atrair até os mais bem-intencionados”

    Conheço gente bacana que gosta dessas teorias e acredita piamente que somos originários de um povo das estrelas. Toda essa conversa guarda, em sua raiz, um pensamento autoritário. Acho incrível como o fascismo se disfarça de tantas maneiras e é capaz de atrair até os mais bem-intencionados. Se existem escolhidos, povos vindos das estrelas, Leonardos soltos por aí, quem sou eu? Essas pessoas tão sábias não teriam o direito de mandar em mim, em você, em nós?

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    A crença religiosa ou esotérica que fala em um povo escolhido pelo divino também supõe que é escolhido para mandar na gente. Pode parecer loucura o que digo, mas, até alguns séculos atrás, os reis afirmavam ter sangue divino. Ainda há lugares no mundo onde se confunde fé e política. Muita gente já foi torturada e morta ao longo da história e até hoje, em alguns países, por não corresponder aos preceitos da fé.

    Em toda essa loucura, desponta o objetivo de definir quem manda em quem. Não temos mais, no mundo ocidental, sociedades onde alguém afirma ter sangue divino para tomar o poder. Mas admiramos, sim, aqueles que se apresentam como geniais e somos capazes de eleger alguém que se diz capaz de saber o que é bom para todo mundo. Principalmente para ele. As pessoas apreciam demais a ideia desse ser sábio, pronto para mandar. Quantas vezes não apoiamos ou elegemos esse ser que parecia tão especial? Em ano eleitoral, é saudável ficar de olhos bem abertos.

    Publicado em VEJA de 17 de abril de 2026, edição nº 2991

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