Oferta hexa: Assine por apenas 7,99

Após a explosão do Barbiecore, a moda volta a se render ao rosa, mas com novos detalhes

Agora a cor ganha tons refinados, que provam sua incrível capacidade de transformação

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 Maio 2026, 08h00
Após a explosão do Barbiecore, a moda volta a se render ao rosa, mas com novos detalhes Priorizar nos meus resultados Google

Quando o rei francês Luís XV elegeu a cortesã Jeanne-Antoinette Poisson (1721-1764) como sua amante predileta, mal sabia que a escolha teria um efeito duradouro: a consagração do rosa como cor essencial da moda. Madame de Pompadour, como ela ficou conhecida, popularizou a tonalidade singular em vestidos imortalizados nas pinturas de François Boucher. Desde então, o matiz sempre instigou a fantasia. Em 2023, na esteira do sucesso de Margot Robbie na pele da boneca Barbie no cinema, o rosa explodiu de forma maximalista com a chamada Barbiecore, tendência fluorescente, divertida e barulhenta. Menos de três anos depois daquela onda, o tom está de volta numa paleta mais delicada e refinada. Os novos modelitos que atravessam passarelas e invadem o guarda-roupa das celebridades vêm em nuances etéreas. Engana-se, porém, quem pensa num rosa ingênuo. Sai o fúcsia vibrante, entram derivados como blush pink, ballet pink e rosa-chá: tons claros e acetinados que flutuam entre o clássico e o contemporâneo.

Os sinais dessa virada já apareciam há algum tempo. O retorno do bloco rosa da Victoria’s Secret, em 2024, com Gigi Hadid abrindo a apresentação em pink, ajudou a recolocar a cor no centro do desejo pop. Agora, Madonna também reaparece envolta em rosa na estética de seu novo álbum, Confessions II. E no recente Met Gala isso ficou ainda mais evidente. Dois dos looks mais comentados tinham o rosa como protagonista. Em sua estreia no baile, Sunday Rose, filha de Nicole Kidman, surgiu de Dior em tons de blush e lavanda, com flores tridimensionais e saia fluida, como se tivesse saído de uma pintura impressionista. Já Amanda Seyfried apostou em um Prada rosa-chá clássico, atualizando as referências de noivas contemporâneas. Falando em princesa, Kate Mid­dleton foi outra que se rendeu a um delicado visual rosado, reafirmando-o como símbolo de elegância. “Cada cor imprime uma personalidade própria, e o rosa carrega suavidade e leveza”, diz a stylist Manu Carvalho.

A VIDA É PINK - Os novos tons nas passarelas da Chanel (à esq.) e Chloé, e o festival da Victoria’s Secret com Gigi Hadid (à dir.): aristocrático, infantil, erótico ou feminista, foram mil encarnações estéticas ao longo das últimas décadas
A VIDA É PINK - Os novos tons nas passarelas da Chanel (à esq.) e Chloé, e o festival da Victoria’s Secret com Gigi Hadid (à dir.): aristocrático, infantil, erótico ou feminista, foram mil encarnações estéticas ao longo das últimas décadas (@chanel/Instagram; @chloe/Instagram; TheStewartofNY/FilmMagic/Getty Images)

O rosa invadiu também as passarelas de 2026. Na Chanel, os tons blush apareceram em vestidos de musseline quase diáfanos. Na Dior, o matiz airoso ganhou estrutura, e na Chloé veio inspirado na poesia hippie dos anos 1960 e 1970, entre transparências e laços sutis. A grife Sandy Liang apostou no tom em referências esportivas, provando que o rosa pode ser cool e urbano. Até a beleza entrou na onda. O chamado ballet blush — tendência da maquiagem inspirada no universo das bailarinas — virou febre nos nécessaires com acabamentos acetinados e visual saudável. “O rosa-claro sempre foi uma cor acessada para transmitir delicadeza e feminilidade”, opina Manu.

Mas o fascínio pelo rosa vai além da estética. Poucas cores carregam tantas contradições históricas. Hoje associado ao feminino, já foi considerado masculino, por ser visto como uma versão suave do vermelho — cor por muito tempo ligada à guerra e ao poder. Curiosamente, a delicadeza das mulheres era ligada ao azul, que remetia à pureza da Virgem Maria. O rosa moderno nasceu, reafirme-se, na corte francesa do século XVIII, mas ganhou impulso no século XX, por meio das estrelas de Hollywood. Do vestido de Marilyn Monroe em Os Homens Preferem as Loiras (1953) aos looks da ex-primeira-­dama americana Mamie Eisenhower, se tornou símbolo da feminilidade dos anos 1950.

Continua após a publicidade
ROMANTISMO - Madonna na capa do disco: menos neon, mais emoção
ROMANTISMO - Madonna na capa do disco: menos neon, mais emoção (./.)

Como a moda adora uma reviravolta, esse vaivém é que a torna fundamental para a civilização. Nos anos 1970 e 1980, a cor foi sequestrada pela contracultura: virou protesto punk, ironia pop e símbolo político. Madonna reinterpretou Marilyn em Material Girl como caricatura da mulher hipersexualizada. Nos anos 1990, Courtney Love subiu ao palco como bailarina cor-de-rosa destruída pelo grunge. O triângulo rosa foi ressignificado pela comunidade LGBTQIA+ como símbolo de resistência. Talvez isso torne a cor tão fascinante: sua eterna capacidade de transformação. Já foi aristocrática, infantil, erótica, feminista, pop e kitsch. Como dizia Elsa Schiaparelli, criadora do shocking pink nos anos 1930, ela é “a cor da vida”. Sua encarnação atual comprova que há mais tons de rosa do que sonha a imaginação.

Publicado em VEJA de 15 de maio de 2026, edição nº 2995

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).