Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês

As mulheres vão à luta e aumentam presença em modalidades como jiu-jítsu e krav magá

Público feminino tem apostado em cursos que ensinam como se empoderar e reagir em situações de violência

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 abr 2026, 08h00 | Atualizado em 12 abr 2026, 16h05

Nos últimos anos, a diretora comercial paulistana Claide Assman foi acossada por uma sequência de episódios de violência. Loira, alta e bem-sucedida, a executiva de 45 anos já foi agredida verbalmente por um estranho na rua, que ameaçou acertar sua cadela com um tijolo. “Saí correndo, impotente e com medo, e depois me senti humilhada e desrespeitada”, diz Claide, que chegou em casa chorando. Em outra ocasião, ela sofreu uma tentativa de assalto enquanto passeava com os dois filhos pequenos numa praça. Sentindo-se um alvo natural por ser bonita e chamativa, Claide tornou-se então um poço de insegurança. Mas uma descoberta a tirou da defensiva: ela se matriculou num curso de jiu-jítsu voltado para mulheres que buscam ampliar seu empoderamento no tatame e, assim, encontrar um modo de reagir às ameaças que rondam o público feminino. A identificação foi tão plena e libertadora que acabou levando sua família inteira — o marido e os filhos — para as aulas.

A profissional e mãe paulistana está longe de ser um exemplo isolado. Nicho historicamente masculino, as lutas estão atraindo cada vez mais mulheres, que encontram nelas um caminho para ganhar condicionamento físico e autoconfiança para enfrentar a vida. O interesse feminino em formas de defesa pessoal como jiu-jítsu e krav magá aumentou 23% no último ano, de acordo com pesquisa da Maximum Boxing, empresa especializada em equipamentos esportivos que analisou as buscas pelas modalidades na internet. Em outro levantamento, dessa vez com 500 brasileiros, a empresa detectou que seis em cada dez mulheres planejam começar ou continuar a lutar em 2026.

DEFESA - Aula de krav magá: academia paulistana teve aumento de 20% de alunas
DEFESA - Aula de krav magá: academia paulistana teve aumento de 20% de alunas (Florência Silberstein/Divulgação)

As motivações são variadas, mas destacam-se o desejo de adquirir habilidades de defesa pessoal e reduzir o estresse. Isso ajuda a explicar o sucesso de cursos como o da pentacampeã mundial de jiu-jítsu Kyra Gracie — que, além de reunir praticantes interessados em competições, ensina mulheres e crianças a se defender de diferentes tipos de violência. “É um trabalho voltado para a sobrevivência”, afirma Kyra, que atua no Rio de Janeiro. Atualmente, quase metade de sua clientela é feminina. Como lembra a própria Kyra, o recorde histórico de feminicídios registrado no ano passado é um impulso importante nesse aumento de procura. Ao lado do marido, o ator Malvino Salvador, ela percorre o Brasil com seminários de defesa pessoal. Ele interpreta o agressor e a lutadora, a vítima, enquanto demonstra as reações possíveis das mulheres diante de um ataque.

A dupla também atua junto às crianças, principalmente meninas. Com um trabalho intenso de divulgação da importância da defesa pessoal nas redes sociais, recentemente Kyra postou um vídeo com uma das filhas aprendendo um golpe — segundo ela, a ideia é ensinar a criança a dizer “não”. A imagem foi uma resposta a outro post que viralizou nas redes, que mostrava rapazes incentivando agredir mulheres que negam um pedido de casamento. Ela anseia em formar mulheres mais confiantes e preparadas. “Somos educadas a ser delicadas. Precisamos de outras ferramentas”, diz Kyra.

Continua após a publicidade
TATAME - Treinamento de jiu-jítsu: reações baseadas em cenários de violência real
TATAME - Treinamento de jiu-jítsu: reações baseadas em cenários de violência real (EXTREMO/Divulgação)

Em São Paulo, uma técnica batizada de women empowered (mulheres empoderadas), certificada pela Gracie Univertity orienta as alunas a se defender em vinte cenários baseados em situações reais de agressão, identificadas a partir de estatísticas policiais. “As melhores academias que ensinam a expressão da defesa pessoal do jiu-jitsu são da Grace Universite e do Joaquim Valente”, explica a anestesista Juliana Bueno Garcia, que oferece o curso women empowered. Marido de Gisele Bündchen, ele praticou com o célebre Hélio Grace, lendário difusor do jiu-jitsu, técnica baseada em um sistema de alavancas que possibilita que até pessoas de físico franzino possam encarar pesos pesados. Formado em criminologia, Valente desenvolveu aulas focadas em defesa pessoal, hoje um dos atrativos da academia que mantém na Flórida com os irmãos. O curso já atraiu nomes conhecidos como Ivanka Trump, filha do presidente americano.

No Brasil, as mulheres também ampliam sua presença em modalidades como o krav magá, sistema de defesa pessoal criado para situações reais de combate. O objetivo também é reagir com rapidez e eficiência às ameaças. “As pessoas entenderam que precisam estar preparadas, pois a violência pode acontecer em qualquer lugar”, afirma João Arthur, dono do Centro Krav Magá de Moema, na capital paulista, que viu o número de alunas aumentar em 20% no último ano. Diante de uma ameaça, a atitude mais segura é evitar confrontos, claro — mas, caso a coisa aperte, as mulheres agora também vão à luta.

Publicado em VEJA de 10 de abril de 2026, edição nº 2990

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).