Câmera corporal da polícia revela PM atirando em mulher em SP
Imagens mostram o momento do disparo que matou a vítima durante abordagem rotineira
Uma abordagem de rotina terminou em morte na última sexta-feira (3), na Zona Leste de São Paulo, reacendendo o debate sobre abuso de poder e uso desproporcional da força por agentes de segurança. A vítima, Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi baleada durante uma intervenção policial no bairro Cidade Tiradentes. O caso passou a ser investigado após a divulgação de imagens de câmera corporal que registram a dinâmica da ocorrência e levantam questionamentos sobre a conduta dos policiais envolvidos.
Os registros foram captados pelo equipamento acoplado ao uniforme do soldado Weden Silva Soares, que conduzia a viatura. Sua colega, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, autora do disparo, não utilizava câmera corporal por estar há cerca de três meses em patrulhamento, após formação recente na corporação.
Nas imagens, o episódio começa por volta das 2h58, quando a viatura entra na Rua Edimundo Audran. Em seguida, o retrovisor do veículo atinge o braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, marido da vítima. O policial que dirigia para o carro, dá ré e repreende o homem com agressividade verbal. A situação rapidamente escala. Luciano reage verbalmente, utilizando a expressão “Steve”, uma gíria comum entre policiais.
Pouco depois, ocorre o disparo. Em um dos trechos mais contundentes da gravação, o soldado Weden questiona diretamente a colega: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”. Yasmin responde que efetuou o tiro após alegar ter recebido um tapa no rosto da vítima. A justificativa, no entanto, tem sido alvo de forte contestação, especialmente diante do princípio da proporcionalidade no uso da força, que rege a atuação policial.
O Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da morte de Thawanna. Paralelamente, a Polícia Militar de São Paulo informou que os agentes envolvidos foram afastados das atividades operacionais enquanto durarem as investigações.
Especialistas em segurança pública destacam que o caso evidencia falhas tanto na formação quanto na supervisão de agentes em início de carreira, além de reforçar a importância do uso obrigatório de câmeras corporais como instrumento de transparência e controle. A ausência do equipamento com a autora do disparo, somada ao conteúdo das imagens disponíveis, deve ser central na apuração de responsabilidades.
A morte de Thawanna se soma a outros episódios recentes que colocam em xeque protocolos de abordagem e o preparo emocional de policiais diante de situações de conflito. O desfecho do caso poderá influenciar políticas públicas e diretrizes operacionais, em um momento em que cresce a pressão por maior controle externo das forças de segurança.





