Melhor uísque de 2026: conheça o blend que conquistou o mundo e o tempo
Com 23 anos de maturação, rótulo escocês une tradição, técnica e despedidas simbólicas para se tornar o melhor whisky blended de 2026
Há bebidas que atravessam o tempo e outras que parecem domá-lo. Em um mundo obcecado pela pressa, um whisky de 23 anos acaba de lembrar que excelência, às vezes, é sinônimo de espera.
O Ballantine’s 23 Year Old foi eleito o melhor blended do mundo no World Whiskies Awards 2026, consolidando não apenas a força de uma marca histórica, mas também o prestígio de uma categoria que, por muito tempo, viveu à sombra dos single malts. E não parou por aí: o rótulo também levou o título de melhor blended escocês da competição.
O prêmio, anunciado em uma cerimônia no Waldorf Hotel, coloca os holofotes sobre uma bebida que é, por definição, resulta de encontros. O blend reúne whiskies de malte e grão de diversas destilarias escocesas, envelhecidos exclusivamente em barris de carvalho americano — uma escolha que imprime notas aromáticas de mel, baunilha e frutas, com um paladar que oscila entre o frescor das frutas vermelhas e a doçura do caramelo, antes de um final breve e levemente picante.
Fundada em 1827, a Ballantine’s carrega quase dois séculos de tradição. Hoje sob o guarda-chuva da Pernod Ricard, a marca ocupa o posto de segunda mais vendida do mundo, atrás apenas da gigante Johnnie Walker. Um feito que ajuda a explicar por que cada novo lançamento seu chega já cercado de expectativa.
Mas o reconhecimento deste ano tem também um tom de despedida. Após mais de duas décadas assinando os blends da casa, o master blender Sandy Hyslop deixou o cargo no fim de 2025. Em seu lugar assume Kevin Balmforth, parceiro de longa data e agora responsável por conduzir o futuro da marca — uma transição que mistura legado e reinvenção, como todo bom blend.
Segundo a diretora da premiação, Anita Ujszaszi, os vencedores deste ano representam o auge da artesania no universo do uísque, mas também sua diversidade e capacidade de inovação. Não é pouca coisa em um mercado que vai do clássico ao experimental com a mesma naturalidade.
Entre os destaques globais de 2026, nomes de diferentes origens reforçam esse mosaico: o americano Proof and Wood Curated Seasons 2024, o irlandês Jameson 18-Year, o japonês Hibiki 30-Year e o indiano Singhasan Whisky. Cada um, à sua maneira, traduz um terroir, uma técnica, um tempo.
Talvez seja isso que torne o triunfo do Ballantine’s 23 Year Old tão emblemático. Em meio a tendências rápidas e paladares voláteis, ele prova que algumas coisas — quando bem feitas — não precisam correr para chegar primeiro. Basta saber esperar.





