O que acontece no encontro nacional de ‘trisais’: baile de gala e roda de samba
A organizadora Priscilla Mira dá detalhes do evento, que acontece em setembro na serra fluminense
Um relacionamento afetivo, consensual e fidelizado entre três pessoas. É assim que se define o que é um trisal, forma menos convencional de relacionamento amoroso que vem buscando ganhar mais espaço e tolerância dentro da sociedade nos últimos anos. Embora o século XXI tenha trazido consigo uma revolução na aceitação de comportamentos distintos do dito tradicional relacionamento heterossexual monogâmico, a visão geral acerca dessas formas de amar ainda é cercada de estereótipos e visões negativas. E é buscando combater essas visões que integrantes de um trisal decidiram promover um encontro de trisais, que foi bem-sucedido em sua primeira edição e se prepara para o segundo evento.
“O motivo foi buscar estar junto com famílias iguais às nossas”, diz Priscilla Mira, que há oito anos vive um trisal com Marcel e Regiane. “Queríamos que nossos filhos tivessem contato com famílias que têm duas mães, que têm dois pais, para saberem que eles não estão errados por terem uma família diferente”, explica, em entrevista a coluna GENTE. Aos 42 anos, a administradora financeira tomou a iniciativa de promover o que seria, inicialmente, um encontro pequeno no salão de festas de seu condomínio, mas foi surpreendida ao perceber que tinha subestimado o interesse das famílias em participar.
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Cerca de 140 pessoas, incluindo trisais e seus filhos, marcaram presença no evento, surpreendendo Priscilla e levando a uma mudança de planos. O evento foi, então, transferido para uma pousada em Pinhalzinho, no interior de São Paulo. “Foi maravilhoso. A recepção foi calorosa, acolhedora, e isso nos impulsionou a fazer um repeteco, dessa vez no Rio”, diz a organizadora, já se preparando para a segunda edição do evento, que vai acontecer em Nova Friburgo entre os dias 10 e 13 de setembro.
Mas o que exatamente acontece nesses encontros? As visões focadas excessivamente de cunho sexual, com trocas de casais e outras atividades do gênero estão equivocadas. “A gente quer desmistificar para a sociedade que vivemos em uma balbúrdia. É para mostrar que a gente vive de maneira séria um relacionamento, e que merece e precisa dos mesmos direitos e respeito que qualquer outra relação”, aponta Priscilla.
Programação ao ritmo de samba
De acordo com a organização, o evento contará com rodas de conversa com psicólogos, espaços para troca de experiências sobre o dia a dia dos trisais e, é claro, espaços de socialização, como um baile de gala e um churrasco com roda de samba. Nessas áreas, os integrantes dos trisais têm espaço para compartilhar suas rotinas e se identificar uns nos outros. “A gente descobre que várias situações, fatos cotidianos que achávamos ser exclusivos nossos, são compartilhados por todos os que vivem em trio”, explica Priscilla. “Pequenos conflitos, como disputas para quem recebe bom dia primeiro, ou se um de nós recebe presente e o outro não”, completa.
Para além da socialização, o primeiro encontro também foi útil para mapear qual é o padrão mais recorrente entre os trisais. Segundo Priscilla, o mais comum é ver duas mulheres e um homem. “Não sei por qual motivo, mas esse formato tem uma maior facilidade para se mostrar em público. Talvez porque a sociedade aceite melhor a ideia de uma mulher gostar de outra mulher, e coloque o homem como o ‘machão que tem duas esposas'”, explica. Na sequência, os formatos mais comuns incluem três homens (2º), três mulheres (3º) e trisais com a presença de não-binários.
Dois homens e uma mulher
A formação de dois homens e uma mulher é, de longe, a mais rara de se ver. “Geralmente esses relacionamentos são escondidos, porque a mulher é sempre vista como ‘promiscua’ e os homens como ‘gays enrustidos’ que querem fingir que gostam de mulheres”, opina a organizadora, expondo possível preconceito da sociedade contra essa composição específica.
Após uma primeira edição bem-sucedida, a perspectiva é de que a segunda edição do encontro conte com um número ainda maior de famílias. “Vamos ter pessoas diferentes das que vieram na última edição, uma maior quantidade de famílias, com filhos”, diz a organizadora. O objetivo é, a depender do sucesso dessa edição, transformar o evento em algo anual, visitando um estado diferente a cada mês de setembro. “O ano que vem pretendemos fazer no Centro-Oeste ou no Nordeste, para facilitar de trisais que moram nas regiões compareçam ao evento”, completa.







