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O show é delas: a nova e celebrada tendência nos vestidos de noiva

Embora o branco continue soberano, a autenticidade virou o grande trunfo no altar

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jun 2026, 08h00 | Atualizado em 15 jun 2026, 12h50
O show é delas: a nova e celebrada tendência nos vestidos de noiva Priorize VEJA no Google

“Uma noiva deve parecer ela mesma, apenas mais bonita.” A máxima atribuída ao estilista Oscar de la Renta (1932-2014) nunca fez tanto sentido. Por séculos, o vestido de noiva carregou uma missão que ia além da moda. Era símbolo de status, tradição, aprovação familiar e, mais recentemente, de foto perfeita para as redes sociais. O sonho, porém, muitas vezes vinha embalado em fórmulas prontas. Hoje, uma mudança silenciosa vem transformando o mercado casamenteiro: a noiva, enfim, decidiu ser protagonista da própria história.

O assunto ganhou força após o casamento da cantora pop Dua Lipa com o ator Callum Turner. Na cerimônia que causou barulho na Sicília na semana passada, o visual da estrela foi o que mais chamou atenção. Ao revisitar o espírito da modelo Bianca Jagger — que entrou para a história ao se casar com Mick Jagger, em 1971, usando um tailleur branco em vez do vestido tradicional —, Dua Lipa reforçou com seu modelo Schiaparelli uma mensagem que ecoa dos ateliês às passarelas: não há mais um único jeito de ser noiva.

REVOLUÇÃO - Bianca indo ao altar com Mick Jagger: até hoje, aquele corte é exemplo de ousadia
REVOLUÇÃO - Bianca indo ao altar com Mick Jagger: até hoje, aquele corte é exemplo de ousadia (Express/Getty Images)

Curiosamente, essa revolução não significa abandonar os códigos clássicos. O branco continua reinando sem rival. O véu segue em alta. O que mudou foi a forma como as mulheres se relacionam com a tradição. Em vez de vestir um personagem, elas querem vestir a si mesmas. A mudança já movimenta o mercado global. Segundo um relatório internacional, cerca de 70% das noivas buscam referências em plataformas como Instagram e Pinterest para criar um visual mais pessoal, enquanto o segmento de vestidos sob medida movimentou cerca de 33,9 bilhões de dólares em 2025.

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O crescimento reflete a demanda por peças capazes de traduzir identidade, história e estilo próprio. Nas passarelas, essa busca por autenticidade aparece de diversas formas. Convivem harmoniosamente os vestidos minimalistas e os modelos esculturais de grandes volumes. O verdadeiro luxo já não está em escolher um lado dessa equação, mas em encontrar a versão que melhor represente quem subirá ao altar.

PERSONALIDADE - A modelo Gabriele Marinho: detalhe arquitetônico para criar identidade
PERSONALIDADE - A modelo Gabriele Marinho: detalhe arquitetônico para criar identidade (Rodolfo Santos/.)
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A modelo Gabriele Marinho Sindona é exemplo da nova mentalidade. Ao se casar recentemente, escolheu um vestido assinado por Gabrieli Furlan que remetia ao clássico modelo princesa, com cintura marcada e saia volumosa. Um detalhe, porém, revelava a leitura contemporânea: a peça apostava em uma pegada anos 1950 com recortes arquitetônicos e estruturas menos previsíveis. “Eu queria viver o sonho do vestido de noiva, mas sem abrir mão de algo autêntico”, diz Gabriele.

O relato ilustra as vivíssimas transformações. O especialista Charles Hermann observa um novo viés comportamental. “Tem crescido o número de noivas que querem algo com identidade e personalidade”, explica. Algumas se reconhecem na ousadia de Dua Lipa. Outras encontram sua expressão em silhuetas grandiosas. Se a festa é da noiva, faz absoluto sentido que o vestido seja o melhor espelho dela. Que seja eterno enquanto dure.

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Publicado em VEJA de 12 de junho de 2026, edição nº 2999

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