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A dívida histórica da Globo com Benedito Ruy Barbosa

Autor morreu aos 95 anos nesta terça-feira, 7

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 11h02 | Atualizado em 8 jul 2026, 14h08
A dívida histórica da Globo com Benedito Ruy Barbosa Priorize VEJA no Google

Neto de Benedito Ruy Barbosa, que morreu aos 95 anos nesta terça-feira, 7, Bruno Luperi se tornou um dos principais autores da TV Globo produzindo e reescrevendo clássicos do seu avô, Após Pantanal, de 2022, emendou Renascer, em 2024. Ambos os remakes, de produções originais da extinta TV Manchete, além do sucesso de audiência, receberam láureas da crítica especializada. Convidado do Obitel 2025, evento que ocorreu em novembro na PUC-Rio, Bruno lembrou de uma dívida histórica da Globo com seu avô:

“Pantanal nasce do sonho do meu avô, ele tentou durante nove anos fazer essa novela dentro da TV Globo, sob o título Amor Pantaneiro, mas encontrou muita resistência lá dentro. Porque o sonho dele era filmar in loco. Não era se apropriar da imagem do Pantanal, recriar o Pantanal estético-cenográfico, era um projeto muito ambicioso. Mas Boni achou que não valia a pena, que ia dar problema. ‘Atriz da Globo não mija no mato’, essas coisas. Aí ele foi fazer a novela na Manchete (em 1990). Boni falou para ele: ‘Vai, quebra a cara e volta, porque se for fazer essa novela, vai ser um fracasso (…). Meu pai, na época trabalhava na Embraer, fazia parte do sindicato, e conta que tudo parava para assistir à novela. Foi o fenômeno criado por uma novela que a gente não vai ver mais. Uma novela analógica, num mundo onde todo capítulo era um capítulo inédito, não tinha essa possibilidade de se rever o capítulo. (…) Quando recebi esse desafio de fazer o remake da novela, o (Luiz Henrique) Schroeder, na época diretor da Globo, propôs o remake, mas tinha muita questão burocrática e contratual para ser negociada, e o que me fez entender que era realmente algo maior do que eu. Schroeder falou uma coisa que ficou marcada: ‘A gente precisa pagar uma dívida histórica que temos com seu avô’. Por isso topei. Foi uma promessa que meu avô fez para gente a vida inteira, ele sempre jurava que ia levar todos os netos para o Pantanal, e nunca levou. Aí eu fui para escrever a novela dele”.

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