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‘Alma Gêmea’ e o tabu do romance gay no universo dos k-dramas

Série japonesa com ator coreano da Netflix chama a atenção por apostar em amor entre dois rapazes - porém, bem recatados

Por Bárbara Bigas 12 jun 2026, 10h00 | Atualizado em 12 jun 2026, 12h27
‘Alma Gêmea’ e o tabu do romance gay no universo dos k-dramas Priorizar nos meus resultados Google

De produção nichada a fenômeno do streaming, os k-dramas se tornaram um pilar do entretenimento global, com dados de audiência surpreendentes: entre 2023 e 2025, os assinantes da Netflix, por exemplo, assistiram a mais de 51 bilhões de horas apenas de conteúdo coreano. As séries, amparadas especialmente em romances açucarados, possuem variedade de temas: há desde fantasias épicas e suspenses até tramas de tom político. Um filão específico, contudo, fica desfalcado nesse meio: as produções LGBT ainda são um tabu nessa produção oriental. Recentemente, a Netflix ousou ao apostar no drama Alma Gêmea, com uma trama de BL — sigla para boys love, ou amor entre meninos em português.

Na série, Ryu (Hayato Isomura), um universitário japonês vai passar um tempo em Berlim após um infortúnio pessoal e lá é salvo após um acidente por Yohan, um boxeador sul-coreano carrancudo e ranzinza, aqui interpretado por Ok Taec-yeon, astro do grupo de k-pop 2PM. Ao longo de oito episódios, Ryu e Yohan se cruzam em contextos diversos, como se estivessem ligados pelo destino. Nesses encontros, criam um vínculo intenso por meio de conversas profundas e momentos em família. O romance fica implícito na história: na realidade, pela distância entre o país natal dos personagens e por terem vidas muito diferentes, os dois acabam por ter um ao outro como suporte emocional em momentos difíceis ligados aos seus próprios dramas pessoais.

Quem espera um hot intenso na linha da série Rivalidade Ardente, da HBO Max, pode esquecer. A produção carrega em si os moldes clássicos do Japão e da Coreia do Sul quando se trata de casais em geral: não há quase nada de sexo, pouco ou nenhum contato físico, mas uma carga emocional intensa que justifica o envolvimento entre os personagens.

A postura dos dois países em relação a causa LGBTQIA+ também é colocada na história como o pano de fundo dramático que impede a aceitação plena de suas sexualidades. Tal abordagem é comum em alguns países asiáticos, onde a diversidade na televisão ainda é ínfima — e consequência direta de como cada nação lida com o tema. Produções com maior teor sexual ficam a cargo de produtoras independentes ou estúdios especializados em webdramas, como é o caso da GMMTV, uma das maiores produtoras tailandesas de boys love e dona do título 2gether: The Series, série conhecida por viralizar o romance gay masculino tailandês no mundo. Não por acaso, a Tailândia é um dos únicos países asiáticos onde o casamento homoafetivo é reconhecido por lei.

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No Japão e na Coreia a realidade ainda é diferente, o que se reflete nas produções, que assumem um tom discreto e ambíguo. Em Alma Gêmea, a química entre Ryu e Yohan é perceptível, mas a falta do desenvolvimento de um romance no modelo tradicional pode ser frustrante para alguns. No entanto, para os fãs de melodrama com relações interpessoais complexas e pouco previsíveis, a série é um prato cheio. Por enquanto, a Netflix não tem outros k-dramas ou j-dramas gays em vista. Pelo menos, o primeiro passo já foi dado.

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