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Como Marina Lima se tornou queridinha de gays da Geração Z

Aos 70 anos, a cantora lésbica é celebrada pelo pioneirismo, mantém presença ativa nas redes e lança o disco 'Ópera Grunkie'

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 mar 2026, 14h13 | Atualizado em 27 mar 2026, 14h50
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Na ativa desde o fim dos anos 1970, Marina Lima se tornou uma das vozes mais importantes da música pop brasileira ao longo da década seguinte, dentro da chamada geração 80, mesclando suas influências modernas às tradições da MPB. Com muita elegância, lançou os clássicos Fullgás (1984), Todas (1985) e Marina Lima (1991) e assim se tornou imortal. Hoje, porém, a vivacidade de seu repertório vai além do status de clássico. Redescobertas pela geração Z, suas músicas são ouvidas e compartilhadas com entusiasmo digno dos lançamentos — os quais Marina ainda engrossa. Nesta terça-feira, 24 de março, ela divulgou o disco Ópera Grunkie, composto por 12 faixas inéditas, seu primeiro desde Novas Famílias (2018).

“Grunkie”, segundo a artista, diz respeito a “pessoas livres, inteligentes, talentosas e corajosas”, como enxerga seu público. Nas redes sociais, Marina interage com seus ouvintes constantemente, sem cerimônia alguma. Antenada, opina sobre os trabalhos lançados por músicos mais jovens e até mesmo cantou um cover da garota prodígio Billie Eilish durante sua apresentação no Lollapalooza 2025. A faixa escolhida, Lunch, foi o jeito da americana assumir sua bissexualidade ao público, por meio de letras nas quais promete ser capaz de devorar uma mulher e assim sair saciada da hora de almoço.

Em Ópera Grunkie, a conexão direta de Marina à geração fica clara em Um Dia na Vida, colaboração com Ana Frango Elétrico — que, aos 28 anos, está na vanguarda da novíssima MPB e, assim como a veterana, canta com delicadeza e bastante experimentação sobre o amor entre mulheres. A faixa seguinte, Samba pra Diversidade, reforça que Marina nunca ficou careta.

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Por essas e outras, ela é vista como ícone por boa parte da comunidade LGBT+, especialmente pelos jovens impressionados com seu pioneirismo. A demanda é tanta que, em uma visita recente ao sebo Corsarium, na rua Augusta, em São Paulo, o proprietário confessou: se os discos de Marina já pegaram poeira nas prateleiras, hoje vendem como água, comprados por jovens que querem ouvi-la na vitrola e viajar para 1984 por alguns minutos. O público também pode vê-la na turnê Marina 70, que começa neste sábado, 28 de março, em Porto Alegre.

O resgate da sofisticação do século passado não para por aí. Hoje, a garota sangue bom Fernanda Abreu, 64, é ouvida rotineiramente em festas pelo país e ganhou até reedição em vinil vermelho do clássico Sla Radical Dance Disco Club (1990). Já Zélia Duncan, 64, protagonizou o curta-metragem Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui (2021) ao lado de Bruna Linzmeyer — belo retrato de um encontro entre gerações de lésbicas. Quando se tem estilo, personalidade e talento, a idade não é só número, como bagagem e atrativo.

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