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Mestre do Sabor: gincana culinária da Globo é gororoba insossa

Indeciso entre ser 'MasterChef' ou 'The Voice', o novo programa da emissora tem muito cacique e pouca comida de verdade

Por Eduardo F. Filho 11 out 2019, 09h00 | Atualizado em 11 out 2019, 13h14
Mestre do Sabor: gincana culinária da Globo é gororoba insossa Priorizar nos meus resultados Google

A nova gincana culinária da Globo, Mestre do Sabor, estreou na noite desta quinta-feira 10 cercada de expectativa – mas revelou-se uma gororoba insossa.

A atração pega carona no sucesso de programas bem estabelecidos das emissoras concorrentes, como o MasterChef, da Band, e o Cozinha Sob Pressão, do SBT. Tenta aplicar à fórmula básica do gênero – uma disputa de cozinheiros submetidos ao olhar rigoroso de chefs consagrados – um tantinho da lógica do bem-sucedido show de calouros The Voice. A receita não cola.

A impressão que ficou do primeiro episodio foi de que a cozinha do reality tem muito cacique para pouca gente botando a mão na massa.

Pior: é um programa que pretende eleger o melhor cozinheiro, mas sem mostrar os candidatos… cozinhando. A dupla Claude Troisgros e João Batista, que se mostrou carismática e muito funcional em atrações como Que Marravilha, no GNT, aqui é inexplicavelmente desperdiçada. Com suas décadas de experiência na cozinha, Claude se limita a apresentar os jurados e candidatos, enquanto João Batista se limita gracinhas – como uma espécie de Louro José em pele de cozinheiro.

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Os candidatos são gente com experiência na profissão. Por isso, a disputa já tenderia a ficar sem graça – o melhor desses programas, afinal, são as patacoadas de novatos sem noção diante do fogão. Mas a Globo, talvez pensando erroneamente que mostrar fogões melecados e ingredientes maltratados seria um atentado contra seu propalado “padrão de qualidade”, não dá a eles nem ao menos a chance de mostrar seus dotes. Os candidatos já apresentam seus pratos prontos, como que saídos da cartola.

É nesse ponto que o excesso de caciques incomoda. Em vez de se apoiar no julgamento de Troisgros, o programa recorre a três chefs respeitáveis, mas de popularidade zero na TV ou na internet para, à maneira dos jurados de The Voice, decidir a sorte dos concorrentes. São eles o mineiro Leo Paixão, a carioca Kátia Barbosa e o português José Avillez. Algum espectador aí já tinha ouvido falar neles?

A similaridade infeliz com o The Voice levou o povo das redes sociais a dar, de cara, um novo nome ao programa: The Fome Brasil. O público também não perdoou a falta de graça quando comparado ao deliciosamente sádico MasterChef. O público até sentiu falta de Ana Paula Padrão fazendo a famosa contagem regressiva. E criticou a Globo pela estranha coincidência de colocar como principal estrela um chef francês, assim como o Erick Jacquin.

Garçom, pode trazer mais sal e pimenta, por favor?

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