A atriz Gloria Menezes, uma das figuras mais emblemáticas da televisão brasileira, morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos. Ícone do teatro e das novelas, a artista morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, informou o secretário da família. O falecimento aconteceu horas depois da partida da também veterana da TV Laura Cardoso, que morreu na noite de ontem.
Nascida em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes foi batizada como Nilcedes Soares de Magalhães – uma junção dos nomes dos pais, Nilo e Mercedes. “Não é um nome, é uma coisa”, dizia a atriz sobre a decisão de trocar o nome de batismo por Glória, alcunha fácil de ser dita em qualquer língua.
Aos seis anos de idade, ela e sua família se mudaram para São Paulo, cidade onde descobriu a paixão pelo teatro. Aos 17, se casou com o primo Arnaldo Britto, com quem passou oito anos e teve dois filhos, Maria Amélia e João Paulo. Durante o casamento, ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo, e deu início ao grupo artístico Jovens Independentes. A dedicação aos palcos a levou a abandonar o curso universitário — mesmo assim, chamou a atenção dos produtores de cinema e TV rapidamente.
Em 1959, Glória estreou na televisão com a novela Um Lugar ao Sol, na TV Tupi. No ano seguinte, atuou no filme O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, lançado em 1962 no Festival de Cannes, onde se tornou o primeiro — e até agora único — longa sul-americano a ganhar a Palma de Ouro. No cinema, ainda retornou ao sertão no filme Lampião, o Rei do Cangaço (1964), e repetiu a parceria com Duarte em O Descarte (1973).
Foi na mesma época em que desfrutava da ascensão na carreira que, nas coxias do teatro, Glória conheceu seu marido e parceiro de profissão, Tarcísio Meira. Eles trabalham junto na Tupi, no teleteatro Uma Pires Camargo, e, em 1963, protagonizam a primeira novela diária do Brasil, 25499 Ocupado, exibida ao vivo pela Excelsior. Em 64, Glória deu à luz a Tarcísio Filho.
O casamento na vida real se entrelaça ao longo da carreira de ambos na dramaturgia. Ainda na Excelsior, Glória e Tarcísio atuaram em outros títulos, como A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966). No cinema, trabalharam juntos em Máscara da Traição (1969), Independência ou Morte (1972) e O Caçador de Esmeraldas (1979).
Em 1967, o casal se mudou para a Globo e encabeçou o folhetim Sangue e Areia, de Janete Clair. Tão importante quanto a parceria entre Glória e Tarcísio é a tríade formada por eles com Janete. Juntos, fizeram clássicos da televisão, caso de Rosa Rebelde (1969), Irmãos Coragem (1970), O Homem que Deve Morrer (1971) e O Semideus (1974). É com Irmãos Coragem que a carreira de Glória ganhou um novo fôlego e respeito ao interpretar três personalidades de mulheres completamente distintas, passando pela recatada até a sedutora. A atriz se reúniu novamente com Janete para outro grande momento de sua carreira em 1979, com Pai Herói, em que interpreta Ana Preta, a ousada dona de uma casa de samba.
A popularidade do casal com o público rendeu, em 1988, a série Tarcísio & Glória, assinada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Ela dava vida a Ava Becker, extraterrestre em busca de perpetuar sua espécie. Enquanto ele era um empresário corrupto com quem Ava se envolve.
Além de Janete, outro dramaturgo se destaca na carreira de Glória. É sob a tinta de Silvio de Abreu que ela fez títulos como Jogo da Vida (1981), Guerra dos Sexos (1983), Rainha da Sucata (1990), Deus nos Acuda (1992), A Próxima Vítima (1995), e, ao lado de Tarcísio, Torre de Babel (1998). Como reforça o site Memória Globo, Rainha da Sucata, é outro trabalho que ganha verniz no currículo de Glória. Ela deu vida à vilã e socialite falida Laurinha Figueroa, primeira personagem a cometer suicídio em uma novela no Brasil. “Estava na primeira página do jornal O Globo no dia seguinte”, comentou a atriz.
Em papéis mais recentes, Glória se destacou como a feiticeira Zoroastra, em O Beijo do Vampiro (2002); a Baronesa de Bonsucesso, que sofria de Mal de Alzheimer, em Senhora do Destino (2004); uma rápida participação em Páginas da Vida (2006), com Tarcísio; e A Favorita em (2008), na qual ganhou destaque como Irene, personagem que tem o filho e o marido assassinados por Flora (Patrícia Pillar). Sua última personagem nas novelas foi Stelinha, de Totalmente Demais (2015).







