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Peter Frampton fala a VEJA: ‘Me sinto em dívida com o Brasil’

Em meio à luta contra uma doença incurável e degenerativa, o guitarrista segue fazendo shows e lança o primeiro álbum de inéditas em dezesseis anos

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jun 2026, 06h00 | Atualizado em 26 jun 2026, 10h46
Peter Frampton fala a VEJA: ‘Me sinto em dívida com o Brasil’ Priorizar nos meus resultados Google

A aposentadoria parecia ser o único caminho para o cantor e guitarrista Peter Frampton. Em 2019, o roqueiro divulgou o diagnóstico desolador: ele sofre de miosite por corpos de inclusão (MCI), doença incurável e degenerativa que enfraquece os músculos gradualmente, inclusive os tendões exigidos para tocar o instrumento. Fez então shows de despedida — mas continuou procurando saídas. Descobriu que, com ajustes para driblar as limitações motoras, poderia seguir ativo. Encabeçou mais duas turnês, chamadas “Vamos de Novo” e “Nunca Diga Nunca”, cantando sentado. A experiência atiçou sua veia criativa: agora, aos 76 anos, ele lança Carry the Light, o primeiro disco de inéditas em dezesseis anos, feito de colaborações variadas — da estrela do R&B H.E.R. até integrantes de bandas como Rage Against the Machine e Tom Petty and the Heartbreakers.

O álbum é resultado de um trabalho íntimo com seu filho Julian, de 38 anos, cuja educação musical começou na infância com um kit de bateria presenteado pessoalmente pelo ex-beatle Ringo Starr. “Eu e Julian trabalhamos juntos porque ele consegue antecipar meus pensamentos enquanto estou focado em outras partes do processo”, explicou Peter a VEJA. Na faixa que dá título ao álbum, por exemplo, ele destaca a importância de ouvir os mais velhos e que a humanidade precisa aprender com os erros do passado para não repeti-los. “Carregue a luz/Para que você e eu possamos enxergar o caminho”, diz o refrão de Carry the Light. Outro destaque é a nostálgica Buried Treasure, uma homenagem ao colega Tom Petty (1950-2017).

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À MODA ANTIGA - O novo disco: celebração aos veteranos do rock (./.)

A carreira de Frampton se deu ao ritmo de montanha-russa. Há cinquenta anos, em 1976, o novato com pinta de surfista californiano lançou o disco que o transformou em ídolo mundial: Frampton Comes Alive, que consagrou o hit Show Me the Way e seu notório talk box, dispositivo que faz o som da guitarra parecer uma voz humana. O final da mesma década marcou também os primeiros reveses. Em 1978, estrelou o filme desastroso Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, baseado no disco dos Beatles, e sofreu um acidente de carro quase fatal nas Bahamas. Nos anos seguintes, ainda emplacou a canção Breaking All the Rules, que virou hit no Brasil por embalar um comercial de cigarro. Nessa fase, lotou ginásios com apresentações por aqui. “Me sinto em dívida com o país”, conta. “Pousei no Rio de Janeiro e fui parar em uma balada aos pés do Cristo Redentor como convidado de honra. Todos queriam um autógrafo.” Herói da sobrevivência, Frampton luta agora para seguir a carreira, em notas comoventes.

Publicado em VEJA de 26 de junho de 2026, edição nº 3001

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