‘Rancho Dutton’: o que explica o sucesso do novo spin-off de ‘Yellowstone’
Série mais vista do Paramount+ é o novo desdobramento de produção que modernizou o faroeste com drama familiar e força feminina
Após um incêndio dizimar as terras de seu rancho em Montana, no oeste dos Estados Unidos, a fazendeira Beth (Kelly Reilly) decide recomeçar a vida ao lado do marido, Rip (Cole Hauser), e do filho, Carter (Finn Little), no Texas, no sul do país. Única mulher entre os quatro filhos de John Dutton (Kevin Costner), o patriarca ricaço da família protagonista da série Yellowstone (2018-2024), Beth desafia os arquétipos tradicionais de uma personagem feminina. Agressiva, sagaz e intimidadora, tem uma postura implacável, quase masculinizada, em um mundo de testosterona transbordante — logo, não mede esforços para mostrar que tem tanta fibra quanto os caubóis ao redor, ou até mais que eles. Com a mesma tenacidade, só que mais madura, Beth acaba de ganhar uma série para chamar de sua: atualmente em exibição na Paramount+, Rancho Dutton é o quarto spin-off da saga rural e atual líder de audiência da plataforma.
O vasto universo televisivo do clã é obra do diretor e produtor Taylor Sheridan, que teve a sacada de modernizar o faroeste na TV, mantendo os elementos básicos do gênero, mas de forma ampliada: um fazendeiro bilionário vive em constante atrito com os que cobiçam suas terras e posses, desde políticos corruptos até a reserva indígena vizinha, enquanto vê os filhos disputarem o topo da linha sucessória. A franquia completa — com as séries derivadas 1883 e 1923, ambientadas antes dos eventos de Yellowstone, e Marshals, que segue o filho caçula, Kayce Dutton (Luke Grimes), após o desfecho da trama principal — tornou-se uma das mais rentáveis de Hollywood, um negócio que já lucrou mais de 700 milhões de dólares para a Paramount desde 2018.
O sucesso é atribuído não só ao enredo, mas a um empurrãozinho do público da direita americana. Apelidada de “Succession republicana”, em referência à série da HBO sobre outra família bilionária, Yellowstone exalta valores associados ao imaginário conservador, como a defesa da propriedade privada, a valorização da vida rural e ideais tradicionais de masculinidade — com direito a barba malfeita e pistola na cintura. No fundo, contudo, a trama prospera pela constante tensão entre tradição e modernidade. Caso da forte presença feminina, que não se resigna ao papel de dona de casa submissa. Na nova série, Beth terá ainda de enfrentar uma antagonista à altura, a fazendeira Beulah Jackson, papel da ótima Annette Bening.
Com um contrato com a Paramount que vai até 2028, Sheridan tem outros dois spin-offs desse universo encomendados. São eles 1944 — mais um com os antepassados dos Dutton — e o ambicioso 6666, sobre um icônico rancho real (lê-se four sixes em inglês). Referência no setor da pecuária, o 6666, no Texas, é hoje administrado por Sheridan, que além de criar séries é também criador de gado. A dinastia favorita da TV está longe de acabar.
Publicado em VEJA de 12 de junho de 2026, edição nº 2999







