105 000 sem luz no Rio: como o serviço da Light estagnou neste ano
Segundo a Aneel, a concessionária que abastece os cariocas está demorando, em média, 9,5 horas para atender a ocorrências comuns neste ano
Dois dias após o forte vendaval que atingiu a região metropolitana do Rio de Janeiro com rajadas de até 100 quilômetros por hora, cerca de 105 000 clientes da Light, a distribuidora que atende a capital fluminense, seguem sem energia elétrica. Embora eventos climáticos extremos como o ocorrido na tarde de quarta-feira, 29, imponham uma dose extra de complexidade para religar a rede, o fato é que os indicadores de atendimento da Light estagnaram nos primeiros meses de 2026, mesmo quando se trata de ocorrências corriqueiras.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tempo médio de atendimento a emergências (TMAE) da concessionária, considerando-se o período de janeiro a maio, soma 568 minutos, ou cerca de 9,5 horas. O desempenho é ligeiramente pior que os 567 minutos gastos no ano passado, o que demonstra a dificuldade da companhia em melhorar seu serviço à população.
O TMAE é a soma de três indicadores. No caso da Light, o tempo médio de preparação (TMP) é, de longe, o maior. O TMP representa quanto tempo a companhia gasta para preparar a equipe que executará um serviço, após ser comunicada de uma ocorrência. A concessionária carioca demora em média 506 minutos (cerca de 8,4 horas) para tanto. É praticamente o mesmo que demorava no ano passado – 508 minutos.
O segundo indicador é o tempo médio de deslocamento (TMD), que afere quanto a equipe demora no trajeto entre a sua base e o local da ocorrência. Neste ano, esse percurso é feito em cerca de 25 minutos, pouco mais que os 24 minutos gastos em 2025. Por fim, a Aneel também considera o tempo médio de execução (TME), que apura a rapidez com que o reparo é realizado após a chegada da equipe ao local. Na Light, a média é de 36 minutos neste ano, ante 34 minutos em 2025.
É verdade que os cariocas já esperaram muito mais para que a Light religasse a luz no passado. Em 2022, por exemplo, o tempo médio de atendimento a emergências foi de 1 423 minutos, o equivalente a quase 24 horas. Daquele ano até 2025, a companhia reduziu progressivamente a demora. Em 2026, contudo, os números mostram que ela atingiu um piso que ainda não conseguiu romper, o que só piora a irritação da população que, dois dias após o vendaval de quarta-feira, segue no escuro.







