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A conta amarga da guerra para o agronegócio brasileiro

Consultoria Argus projeta queda de até 15% na oferta de fertilizantes para a safra 2026/27, em meio à guerra e ao aumento da pressão sobre custos no campo.

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 Maio 2026, 12h59 | Atualizado em 6 Maio 2026, 13h22

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e os desdobramentos prolongados da guerra entre Rússia e Ucrânia começam a impor uma pressão mais ampla sobre o agronegócio brasileiro, com impactos diretos sobre abastecimento de fertilizantes, um dos principais pilares da produção nacional. Segundo projeções apresentadas nesta quarta-feira, 6, pela consultoria Argus, a oferta desses insumos no Brasil para a safra 2026/27 pode recuar cerca de 15%, com maior impacto sobre fosfatados, amplamente utilizados na produção de soja.

O alerta ocorre em um momento particularmente sensível para o setor. Dados da consultoria indicam que, até o fim de abril, menos de 50% do volume planejado para a próxima safra havia sido adquirido, abaixo dos mais de 60% registrados no mesmo período do ano anterior. O atraso amplia riscos logísticos importantes, sobretudo nos portos brasileiros, como Paranaguá (PR), principal porta de entrada de fertilizantes no país.

Em cenários mais pessimistas discutidos pelo mercado, a redução de oferta pode chegar a 30%, cenário que elevaria ainda mais a vulnerabilidade de uma cadeia já pressionada por custos elevados, volatilidade internacional e gargalos de transporte.

A deterioração da chamada relação de troca, indicador que mede o poder de compra do produtor rural frente aos insumos, voltou a patamares semelhantes aos observados no início da guerra na Ucrânia, quando fertilizantes registraram forte disparada global. O encarecimento tem levado produtores a adiar compras, reduzir volumes ou buscar alternativas menos concentradas, o que pode comprometer produtividade futura.

O impacto é particularmente sensível para o Brasil devido à elevada dependência externa. Atualmente, o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, sendo parte relevante proveniente de regiões diretamente afetadas por conflitos ou tensões estratégicas. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), cerca de 12% dos fertilizantes importados pelo Brasil vêm do Oriente Médio, enquanto, no caso específico da ureia, aproximadamente 35% têm origem na região.

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A pressão já aparece nos preços. Desde o agravamento recente do conflito, a ureia acumula alta entre 30% e 35%, enquanto especialistas alertam para potenciais efeitos em cadeia sobre milho, soja, proteínas animais e inflação alimentar.

Além do componente geopolítico, fatores climáticos também ampliam o risco. A possibilidade elevada de ocorrência de um El Niño severo durante a próxima janela de plantio adiciona incerteza sobre logística portuária e desempenho agrícola, especialmente em regiões-chave como Sul e Centro-Oeste.

Embora a demanda global por soja siga resiliente, impulsionada por China, biocombustíveis e consumo doméstico, o avanço da área plantada brasileira tende a desacelerar significativamente, refletindo margens mais apertadas e maior cautela do produtor.

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