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‘A parte difícil’: Galípolo fala sobre o caso Master

Presidente do BC diz que episódio traz lições para a estabilidade financeira e reforça separação entre fatos, investigação e punição

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 fev 2026, 11h47 | Atualizado em 9 fev 2026, 12h10

Depois de tratar da política monetária no evento da ABBC, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, entrou no que definiu como “a parte difícil” da agenda: os temas de regulação prudencial e estabilidade financeira.  Galípolo comentou o caso do Banco Master como um episódio que exige cautela e clareza sobre o papel da autoridade monetária.

Segundo ele, quando um tema ganha grande visibilidade, é natural que se multipliquem interpretações e julgamentos. “É humano, demasiadamente humano. Quando um assunto fica evidente, todo mundo passa a ter opinião sobre ele”, disse. Para Galípolo, cabe ao Banco Central esclarecer os fatos “dentro dos limites que a legalidade permite”, justamente para evitar que narrativas ou desinformação contaminem a percepção do público.

O presidente do BC reforçou que a atuação da instituição não se confunde com investigação criminal. “O Banco Central não faz notícia de crime. O Banco Central noticia fatos”, afirmou. Segundo ele, identificar inconsistências e comunicar os órgãos competentes faz parte do mandato da autoridade monetária, mas a apuração de eventuais ilícitos cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público.

Ao mencionar o caso Master, Galípolo ressaltou que muitas críticas se concentraram em aspectos que, por si só, não configuram irregularidade. “Não há nenhuma regra que vede captações a taxas acima do CDI. Isso, por si só, não é motivo para liquidar um banco”, disse. Para ele, o debate central passa menos pelo custo do passivo e mais pela qualidade do casamento entre ativos e passivos. “Você começa a construir um banco a partir do passivo. É a configuração do passivo que define que tipo de ativo é possível ter.”

Galípolo também chamou atenção para a importância de distinguir a instituição das pessoas que a administram. “Você não pune a instituição para salvar as pessoas. Você tenta salvar a instituição e punir as pessoas que eventualmente tenham feito malfeito”, afirmou, acrescentando que, enquanto houver pessoas, sempre pode haver falhas ou desvios dentro de qualquer organização.

O episódio reforçou a necessidade de coordenação entre instituições e de transparência ao longo do processo, segundo ele. “Esse é um tema que transcende o financeiro”, disse, observando que a repercussão do caso surpreendeu até interlocutores internacionais, dado o pequeno porte do banco envolvido. Ao final, Galípolo defendeu que episódios como esse sirvam para aprimorar regras e governança, sem leituras simplistas. “Não existe ponto de chegada. É um processo contínuo”, afirmou.

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