Ações da Tesla despencam 14% após lucro abaixo do esperado
Montadora registrou queima de caixa pela primeira vez em dois anos e prevê investimentos superiores a 25 bilhões de dólares em 2026
As ações da Tesla despencam cerca de 14% nesta quinta-feira, 23, em Nova York, depois que a fabricante de veículos elétricos apresentou lucro abaixo das expectativas e anunciou um forte aumento dos investimentos em inteligência artificial, robôs humanoides e carros autônomos. Por volta das 15h30, no horário de Brasília, os papéis eram negociados próximos de 322 dólares.
A queda, a maior em mais de um ano, levou a ação ao menor patamar em quase doze meses. Com o tombo desta quinta-feira, a Tesla acumula desvalorização próxima de 30% em 2026 e tem o pior desempenho entre as chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
No segundo trimestre, a companhia registrou lucro líquido de 1,1 bilhão de dólares, uma queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro ajustado ficou em 33 centavos de dólar por ação, abaixo dos 55 centavos esperados por analistas.
A receita avançou 26%, para 28,2 bilhões de dólares, apoiada pelo aumento das entregas de veículos. A Tesla vendeu 480.126 automóveis entre abril e junho, recorde para um segundo trimestre e crescimento de 25% na comparação anual. O aumento dos volumes, porém, foi obtido com descontos e versões mais baratas, que pressionaram a rentabilidade da operação automotiva.
A margem bruta da companhia recuou para 16,9%. A Tesla também foi afetada pela redução das receitas obtidas com a venda de créditos regulatórios para outras montadoras, que caíram de 439 milhões para 146 milhões de dólares.
Outro ponto de preocupação foi o fluxo de caixa livre, negativo em 1,1 bilhão de dólares. Foi a primeira queima de caixa registrada pela empresa em mais de dois anos. Os investimentos chegaram a 5,79 bilhões de dólares no trimestre, avanço de 142% em relação ao mesmo período de 2025.
A Tesla prevê gastar mais de 25 bilhões de dólares em 2026, ante 8,5 bilhões de dólares no ano passado. Os recursos serão direcionados principalmente à expansão da frota de robotáxis, à produção do robô humanoide Optimus e à construção de infraestrutura própria para inteligência artificial e fabricação de semicondutores.
A estratégia faz parte do esforço do presidente-executivo Elon Musk para reduzir a dependência da venda de automóveis e apresentar a Tesla como uma empresa de inteligência artificial e robótica. O problema, para os investidores, é que esses projetos ainda exigem grandes volumes de capital e não oferecem retorno relevante no curto prazo.
A cautela também aumentou depois que a direção da empresa evitou estabelecer novas metas para a expansão dos robotáxis. Musk havia prometido uma rápida disseminação do serviço, mas o avanço tem sido mais lento diante de obstáculos técnicos, operacionais e regulatórios.






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