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Alta no querosene de aviação pode chegar a outros itens

Economistas alertam para efeito cascata

Por Veruska Costa Donato 2 abr 2026, 16h42 | Atualizado em 6 abr 2026, 11h11

A forte alta do querosene de aviação volta a acender o alerta no setor aéreo e nas projeções de inflação. O reajuste de 55% anunciado pela Petrobras foge do padrão histórico e reflete, sobretudo, o avanço do petróleo no mercado internacional. Frederico Zornig, CEO da Quantic Express Solutions, observa que o movimento foi inevitável após meses de preços represados. Na avaliação dele, a estatal acabou ajustando para alinhar o combustível aos valores globais e recompor a defasagem acumulada.

Repasse imediato

O executivo destaca que a questão vai além do repasse imediato. Como a Petrobras não é a única fornecedora, manter preços artificialmente baixos poderia afastar importadores e até gerar risco de desabastecimento. Ou seja, o reajuste também serve para manter a concorrência e garantir a oferta. Sem um preço competitivo, o produto deixa de entrar no país, e o mercado doméstico fica mais vulnerável a interrupções.

Impacto

O impacto mais direto deve aparecer no bolso do consumidor. Zornig estima que as passagens aéreas podem subir entre 20% e 30%, caso as companhias não absorvam parte dos custos ou revisem rotas menos rentáveis. O combustível representa cerca de 30% das despesas operacionais das empresas aéreas, o que torna o setor extremamente sensível a oscilações do petróleo. Mesmo com o reajuste parcelado, a tendência é de repasses graduais ao longo dos próximos meses.

Passagens

A economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, avalia que o querosene de aviação é um dos preços mais difíceis de conter. Segundo ela, as passagens já vieram acima do esperado e pressionam as projeções inflacionárias para 2026, que se aproximam de 4%. Embora o QAV não entre diretamente no índice oficial de preços, o impacto ocorre via transporte aéreo, com efeito estimado entre 0,1 e 0,2 ponto percentual na inflação.

Voos mais caros e ônibus também

Além da inflação, há reflexos sobre o comportamento do consumidor e a atividade econômica. Marianna aponta que passagens mais caras tendem a reduzir a demanda por voos, levando parte dos passageiros a buscar alternativas, como o transporte rodoviário. O efeito cascata também atinge setores que dependem do modal aéreo, como as empresas que utilizam aviões para transporte de cargas. O impacto pode chegar às compras on-line. A  intensidade desse movimento dependerá da duração do conflito internacional e da permanência do petróleo em níveis elevados.

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