Altíssima renda já responde por 44% do dinheiro gasto no e-commerce
Levantamento da Cielo mostra que comércio eletrônico cresce mais que o varejo pelo quarto ano seguido e começa a conquistar também consumidores que até pouco tempo compravam apenas em lojas físicas
A expansão do comércio eletrônico brasileiro está sendo puxada de maneira desproporcional pelos consumidores mais ricos. A faixa classificada como de altíssima renda já responde por 44% de todo o faturamento do e-commerce, segundo levantamento da Cielo com dados do primeiro semestre de 2026.
A concentração ocorre justamente quando o comércio eletrônico amplia sua penetração entre os brasileiros. Neste ano, 5% dos consumidores que em 2025 faziam compras exclusivamente no varejo físico já realizaram alguma compra pela internet. Entre aqueles que estrearam no canal em 2026, 42% fizeram pelo menos uma segunda compra.
O movimento ajuda o comércio eletrônico a avançar bem mais rapidamente do que o restante do varejo. De janeiro a junho, o faturamento nominal do canal digital cresceu 5,3%, ante alta de 2% do varejo total. É o quarto ano consecutivo em que as vendas online crescem mais e, em 2026, a distância entre os dois indicadores é a maior da série apresentada pela Cielo.
Os números mostram também que o e-commerce está cada vez menos restrito às compras de menor valor. Consumidores classificados pela Cielo no perfil “viajante”, por exemplo, representam apenas 2,5% das transações, mas respondem por 11,7% do faturamento — uma diferença explicada pelo peso de compras como passagens e hospedagens.
A diferença de tíquete aparece também nas grandes datas do varejo. Na semana da Black Friday de 2025, o valor médio das compras feitas pela internet chegou a R$ 225,60, praticamente o dobro dos R$ 116,60 registrados no varejo físico.
Para Luis Pelizon, superintendente comercial de e-commerce da Cielo, o avanço das compras de maior valor mostra uma mudança na relação do consumidor com o canal digital. “A disputa não é mais por volume de pedidos, é por valor por pedido”, afirma.







