Apreensões de brinquedos sobem 88% e Receita barra carga de R$ 63 mi
Operação no Porto do Rio revela estratégia de ocultação de produtos chineses; Estrela já alertava para avanço das importações ilegais
O valor dos brinquedos apreendidos pela Receita Federal em todo o Brasil saltou 88,5% em apenas um ano, passando de R$ 25,8 milhões em 2024 para R$ 48,6 milhões em 2025. Os números, obtidos pelo Radar Econômico a partir da base de dados oficial do Fisco, mostram o avanço das apreensões em um mercado que faturou R$ 10,39 bilhões no ano passado.
O problema voltou aos holofotes às vésperas do Dia das Crianças. Na Operação Play Fake, a Receita reteve nove contêineres provenientes da China no Porto do Rio de Janeiro, com 135 toneladas de mercadorias avaliadas em R$ 63 milhões. São cargas de diferentes produtos, incluindo brinquedos, e o valor não corresponde exclusivamente a itens infantis.
O método identificado pelos fiscais chama a atenção. Os contêineres tinham documentação que declarava produtos de baixo valor agregado, colocados estrategicamente na parte dianteira. Atrás deles estavam escondidos brinquedos, pelúcias, bonecos colecionáveis e cartas de jogos associados a franquias conhecidas. Parte das mercadorias apresentava indícios de falsificação ou não possuía a certificação obrigatória do Inmetro.
O impacto das importações ilegais já vinha sendo denunciado pela indústria nacional. Em seu relatório de administração referente a 2025, a tradicional fabricante Estrela afirmou que o crescimento dessas importações está prejudicando as empresas formais do setor. A companhia registrou queda de 2,5% na receita líquida no período, resultado que atribuiu também à retração do consumo e a problemas operacionais.
Um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), referente a 2024, estimou em pelo menos R$ 368 milhões anuais o mercado ilícito de brinquedos no estado. A pesquisa aponta que a China e outros países asiáticos são fontes importantes de abastecimento desse comércio irregular.
A apreensão acontece no momento em que o varejo se prepara para uma das principais datas comerciais do ano. Segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o Dia das Crianças deverá movimentar R$ 9,27 bilhões em 2026, com destaque para o segmento que concentra as vendas de brinquedos.
A Receita não identificou publicamente as empresas responsáveis pelas cargas retidas no Rio nem divulgou estimativas de tributos que teriam deixado de ser recolhidos. Também não informou os destinatários comerciais dos produtos.






